Filie-se
Mercado

Um ano após estreia em Nova York, JBS busca acesso ao mercado trilionário dos ETFs

Listagem na NYSE ampliou liquidez, atraiu investidores estrangeiros e reduziu o custo da dívida, mas valorização adicional depende da entrada em grandes índices americanos.

12 de junho de 2026 por LIDE

Guilherme Cavalcanti, CFO global da companhia (1)Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS. (Foto: Divulgação)

A JBS completa neste mês o primeiro ano desde sua estreia na Bolsa de Nova York (NYSE), movimento que marcou uma nova etapa na estratégia da companhia de ampliar sua presença entre investidores internacionais. O objetivo agora é conquistar espaço nos principais índices do mercado americano e, com isso, acessar os trilhões de dólares administrados por fundos passivos, como os ETFs.

Segundo reportagem do InvestNews, a inclusão nesses índices pode representar um novo ciclo de valorização para a maior processadora de carnes do mundo. Atualmente, a companhia ainda negocia com desconto em relação a concorrentes americanas, como a Tyson Foods, apesar de apresentar indicadores operacionais superiores em diversas frentes de negócio.

A listagem nos Estados Unidos também mudou o perfil da base acionária da empresa. Antes da migração para a NYSE, investidores estrangeiros representavam 72% das negociações com ações da JBS. Hoje, essa participação chega a 90%, sendo que 74% do total está nas mãos de investidores americanos.

"Passamos a ter diariamente pedidos de investidores que nunca haviam interagido conosco para conversas e mais detalhes. Essa é a vantagem de um mercado mais pulverizado como o dos Estados Unidos", afirmou Guilherme Cavalcanti, CFO da JBS.

A entrada nos principais índices, porém, depende do cumprimento de uma série de critérios. Um dos principais é comprovar que a maior parte das receitas é gerada nos Estados Unidos. Atualmente, 52% do faturamento anual de US$ 86,2 bilhões da companhia têm origem no mercado americano, enquanto o Brasil responde por 26%.

A empresa também precisou adaptar processos internos para se alinhar às exigências do mercado norte-americano. A partir dos próximos resultados trimestrais, os balanços e fatos relevantes passarão a ser divulgados no mesmo prazo adotado pelas empresas americanas listadas em bolsa.

Os primeiros avanços já começaram a aparecer. A JBS integrou recentemente a prévia do Russell 3000, índice que reúne milhares de empresas negociadas nos Estados Unidos. Segundo estimativas do Citi, a inclusão pode gerar uma demanda passiva imediata entre US$ 210 milhões e US$ 300 milhões em ações da companhia.

O próximo passo é ingressar no Russell 1000, que reúne as mil maiores empresas americanas em valor de mercado. Para a companhia, a entrada é vista como uma questão de tempo. Já o acesso ao S&P 500 representa um desafio maior, uma vez que exige critérios mais rigorosos relacionados ao valor de mercado e ao volume de ações em circulação.

Enquanto a busca pelos grandes índices continua, a JBS já observa benefícios concretos da presença em Nova York. De acordo com cálculos do Citi citados na reportagem, a liquidez diária das ações praticamente triplicou, passando de cerca de US$ 37 milhões para US$ 115 milhões.

Outro efeito importante foi a redução do custo de captação da empresa. Segundo Cavalcanti, a diferença entre o custo da dívida da JBS e o de concorrentes americanos caiu significativamente nos últimos anos, refletindo a maior confiança do mercado internacional na companhia.

Apesar dos avanços, o cenário operacional segue desafiador. A escassez de gado nos Estados Unidos pressionou as margens da operação bovina da JBS no país e afetou os resultados do primeiro trimestre. O lucro consolidado da companhia recuou 56%, para US$ 221 milhões.

Mesmo diante desse contexto, a empresa mantém a aposta de que a inclusão nos grandes índices americanos pode ampliar sua visibilidade entre investidores globais e abrir caminho para uma nova reprecificação das ações. O desafio, agora, é transformar a presença em Wall Street em um passaporte definitivo para o seleto grupo das maiores empresas negociadas nos Estados Unidos.