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Tecnologia

CEO do Web Summit diz que Pix pode revolucionar o setor global de fintechs

Para Paddy Cosgrave, sistema brasileiro elimina intermediários, reduz custos da economia digital e reforça o papel do Sul Global como fonte de inovação.

11 de junho de 2026 por LIDE

Paddy_Cosgrave_Opening_Night_2024Paddy Cosgrave, fundador e CEO do Web Summit. (Foto: Reprodução)

O avanço do Pix colocou o Brasil no centro das discussões sobre inovação financeira global. Na avaliação de Paddy Cosgrave, fundador e CEO do Web Summit, o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central tem potencial para transformar o mercado internacional de fintechs ao reduzir custos e eliminar intermediários das transações digitais.

Segundo reportagem da Bloomberg, o executivo afirmou que o protagonismo brasileiro reflete uma mudança mais ampla no mapa da inovação, com soluções desenvolvidas fora do Vale do Silício ganhando relevância e servindo de referência para outros mercados. Nesse contexto, o Brasil deixaria de ser apenas um importador de tecnologias para se tornar um exportador de modelos bem-sucedidos.

"O Brasil pode revolucionar todo o mundo das fintechs por causa de algo chamado Pix", afirmou Cosgrave durante entrevista coletiva realizada durante o Web Summit Rio. Para ele, o sistema funciona como uma alavanca de eficiência econômica ao reduzir a dependência de intermediários tradicionais.

O executivo foi além ao classificar o Pix como um "assassino de monopólios". "Ele nivela o campo de jogo e remove um enorme pedágio da economia digital. Toda vez que transacionamos online no Ocidente, supõe-se que devemos dar 2% a alguém. Isso é completamente insano", disse, ao comentar o impacto do modelo brasileiro sobre empresas consolidadas do setor de pagamentos.

Embora o crescimento do Pix desperte interesse de investidores internacionais, Cosgrave afirmou que o potencial do sistema ainda é pouco compreendido fora da América Latina. "Se eu converso com qualquer pessoa na Europa sobre o Pix, eles não têm ideia do que se trata. Mas quando você mostra os números e a taxa de crescimento, as pessoas ficam atônitas", afirmou.

Segundo o CEO do Web Summit, sua expectativa é que a experiência brasileira inspire outros bancos centrais do chamado Sul Global e, posteriormente, alcance mercados desenvolvidos. "Minha expectativa é que o modelo seja exportado para outros bancos centrais do Sul Global e, eventualmente, chegue à Europa", disse.

Cosgrave também destacou que o atual ciclo tecnológico vem descentralizando a produção de inovação no mundo. Para ele, a percepção de que apenas o Vale do Silício seria capaz de criar soluções relevantes perdeu força nos últimos anos. "Há 17 anos, quando comecei, existia a percepção de que toda tecnologia relevante vinha do Vale do Silício e que o resto do mundo só podia imitar, fazer copycat. Isso mudou fundamentalmente. O papel do Vale declinou e o resto do mundo ascendeu", afirmou.

Ao abordar o avanço asiático no setor, o executivo citou o crescimento da presença chinesa em eventos de tecnologia e a expansão de modelos abertos de inteligência artificial. Segundo ele, empresas e governos vêm acompanhando cada vez mais as inovações desenvolvidas fora dos centros tradicionais. "Eles assistem e copiam o que é feito fora, porque há inovação real acontecendo em lugares que ninguém esperava em 2008", disse.