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Energia

Petrobras e Pemex firmam parceria para explorar petróleo no Brasil, México e África

Acordo entre as estatais prevê cooperação em exploração, produção e refino e pode abrir novas oportunidades em águas profundas.

24 de junho de 2026 por LIDE

VH52HYRSGBAO7NR7EXA5TSOD3YMagda Chambriard, e o diretor-geral da companhia mexicana, Juan Carlos Carpio. (Foto: Divulgação)

A Petrobras e a petroleira mexicana Pemex assinaram um memorando de entendimento para desenvolver oportunidades conjuntas nas áreas de exploração e produção de petróleo e gás, além de refino e processos industriais. Segundo a Bloomberg Línea, o acordo foi firmado nesta terça-feira (23), no Rio de Janeiro, durante encontro entre a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e o diretor-geral da companhia mexicana, Juan Carlos Carpio.

O memorando terá validade inicial de dois anos, com possibilidade de renovação. Segundo o governo mexicano, o acordo não cria uma sociedade, consórcio ou joint venture entre as empresas e tampouco estabelece compromissos obrigatórios de investimento entre as duas estatais.

Magda Chambriard afirmou que a cooperação poderá avançar para além do território mexicano. A executiva citou o Brasil e países africanos como possíveis áreas de atuação conjunta, ampliando o alcance da parceria entre as companhias.

“[O acordo] vai ser onde nossas equipes definirem como oportunidades, são países irmãos. Somos duas estatais com o mesmo propósito social, empenhadas em movimentos ganha-ganha”, disse a presidente da Petrobras durante a cerimônia de assinatura.

Juan Carlos Carpio afirmou que a iniciativa está alinhada à agenda de integração regional defendida pelos governos brasileiro e mexicano. Segundo ele, Petrobras e Pemex desempenham papel estratégico no desenvolvimento econômico e energético de seus países.

“Reconhecemos o papel que as duas empresas desempenham no desenvolvimento energético e econômico de ambos os países”, afirmou o executivo mexicano durante o encontro.

Carpio destacou que os desafios atuais da indústria exigem maior cooperação entre as empresas. Segundo ele, as duas companhias acumulam experiência técnica, capacidade operacional e conhecimento que podem ser compartilhados em futuros projetos.

“Ao longo de sua história, [as empresas] contribuíram para o crescimento e desenvolvimento de suas nações, acumulando ativos, experiência, capacidade técnica e conhecimento operacional especializado e hoje estão a serviço de uma agenda comum de colaboração”, disse.

O acordo prevê a avaliação de projetos conjuntos em exploração e produção, além da troca de tecnologias e melhores práticas. As oportunidades incluem atividades em águas profundas, campos maduros e áreas com potencial exploratório no Golfo do México.

Magda Chambriard afirmou que a Petrobras acredita no potencial da porção mexicana do Golfo do México. Segundo a executiva, a região pode apresentar características semelhantes às encontradas no pré-sal brasileiro.

“O que precisamos fazer em parceria é olhar a porção mexicana do Golfo do México com novos olhos. Se fizermos as mesmas perguntas [que fizemos no pré-sal brasileiro], teremos as mesmas respostas, usando novas tecnologias e processamentos”, afirmou.

A presidente da Petrobras também revelou que a aproximação entre as duas empresas contou com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente mexicana Claudia Sheinbaum.

“Eu perguntei ao presidente Lula, por que não uma parceria entre a Petrobras e a Pemex? Ele ligou em seguida para Sheinbaum e disse que me mandaria para lá”, relatou.

Segundo Chambriard, Petrobras e Pemex reduziram investimentos em exploração durante determinados períodos, enquanto outras petroleiras ampliavam seus portfólios. Para a executiva, a reposição de reservas é fundamental para o futuro do setor.

“Falei ao presidente Lula que não existe futuro de empresa de petróleo sem exploração, pois estes recursos não são renováveis”, disse.

A parceria ocorre em momentos distintos para as duas companhias. A Petrobras produziu 2,4 milhões de barris por dia em 2025, enquanto a Pemex enfrenta a menor produção em quatro décadas, em torno de 1,6 milhão de barris diários. Para Carpio, a cooperação inaugura uma nova etapa nas relações entre Brasil e México no setor energético. “O acordo promoverá o fortalecimento da soberania energética”, afirmou o diretor da Pemex.