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Alimentação

A febre da proteína cria escassez de whey e pressiona indústria de alimentos

Demanda por produtos proteicos impulsiona alta histórica dos preços e deixa fabricantes disputando estoques do principal ingrediente do setor.

24 de junho de 2026 por LIDE

alex-saks-MUlIfSNODXE-unsplashAumento da demanda pelo concentrado de proteína do soro do leite  já provoca falta de produto e forte elevação dos preços. (Foto: Unsplash)

Fabricantes de alimentos estão adicionando proteína a uma quantidade cada vez maior de produtos, de cereais e pipocas a sorvetes e barras de chocolate. O movimento, impulsionado pela busca dos consumidores por alimentos mais saudáveis, começou a pressionar a oferta do principal ingrediente utilizado pela indústria: o whey protein.

Segundo reportagem do The Wall Street Journal, o concentrado de proteína do soro do leite, amplamente utilizado em suplementos esportivos e fórmulas infantis, tornou-se um dos ingredientes mais disputados do mercado. O aumento da demanda já provoca falta de produto e forte elevação dos preços.

O whey protein concentrado com 80% de proteína, conhecido como WPC80, atingiu valores recordes nos Estados Unidos, ultrapassando US$ 13 por libra, segundo dados da consultoria Vesper. O preço é quase três vezes maior do que o registrado há um ano.

O whey protein isolado, versão mais processada e com maior concentração proteica, também registrou forte valorização. Segundo dados do mercado, o ingrediente acumula alta de aproximadamente 50% nos últimos doze meses.

“Nunca vimos algo assim, em que está subindo tão agressivamente sem uma perspectiva clara”, afirmou Daren Bradshaw, chefe de operações da fabricante de alimentos proteicos Legendary Foods.

Segundo o executivo, a empresa pretende reajustar preços pela segunda vez em dois anos para compensar o aumento dos custos das matérias-primas.

Além dos preços elevados, a indústria enfrenta dificuldades para garantir o abastecimento. Fabricantes de ingredientes afirmam que os estoques estão comprometidos por contratos antigos ou já reservados para clientes tradicionais.

“Se alguém decide que não quer a sua carga, você tem cinco pessoas querendo comprar”, disse Mike Brown, responsável pela área de inteligência de mercado da T.C. Jacoby & Company.

O whey é um subproduto da fabricação de queijo. Durante décadas, o líquido resultante do processo tinha pouco valor comercial e, em muitos casos, era descartado ou utilizado na alimentação animal. “Agora, posso garantir que não há uma única gota de whey neste país sendo desperdiçada”, afirmou Marina Crocker, diretora sênior da produtora de laticínios Hilmar.

A popularização dos medicamentos para perda de peso da classe GLP-1 e o aumento da preocupação com saúde e nutrição aceleraram ainda mais a demanda por proteínas. “Agora é quase um requisito para as marcas terem proteína”, disse Tommy Riggs, cofundador da Rogue Protein Snacks.

A transformação do whey líquido em concentrados e isolados exige sistemas de ultrafiltração e equipamentos industriais de alto custo, criando gargalos na oferta. Segundo especialistas do setor, a expansão da capacidade produtiva pode levar anos.

Empresas de laticínios vêm ampliando investimentos para atender ao crescimento da demanda. A FrieslandCampina adquiriu neste ano a processadora Wisconsin Whey Protein, enquanto outras companhias anunciaram novos investimentos em infraestrutura.

De acordo com a International Dairy Foods Association, as empresas do setor nos Estados Unidos devem investir cerca de US$ 11 bilhões em capacidade produtiva, tecnologia e logística até 2028. “A demanda do consumidor simplesmente está superando o aumento de capacidade”, afirmou Guus Aerts, diretor-gerente da divisão de ingredientes da FrieslandCampina. “Nos próximos anos, haverá demanda não atendida.”

Enquanto a oferta não aumenta, empresas de alimentos começam a buscar alternativas ao whey protein para reduzir custos e preservar margens. Segundo especialistas consultados pelo The Wall Street Journal, ingredientes como o isolado de proteína do leite passaram a ganhar espaço, embora seus preços também já estejam em trajetória de alta.