Empresa planeja criar canais de TV ao vivo até a venda de pacotes com outros serviços de streaming. (Foto: Divulgação)
Mesmo líder global do streaming por assinatura, a Netflix busca novas formas de manter seus assinantes mais tempo conectados à plataforma. A empresa discute mudanças que vão desde a criação de canais de TV ao vivo até a venda de pacotes com outros serviços de streaming, em um movimento que sinaliza a preocupação com a queda no engajamento dos usuários.
De acordo com reportagem do InfoMoney, baseada em informações do The Wall Street Journal, as discussões ganharam força após a companhia identificar sinais de desgaste em uma de suas principais métricas: o tempo que os assinantes passam assistindo a filmes e séries e a frequência com que concluem os conteúdos, indicador considerado essencial para retenção e crescimento da receita.
Entre as alternativas avaliadas está a criação de canais lineares dentro da própria plataforma, com programação contínua de conteúdos temáticos. Além de ampliar o tempo de permanência dos usuários, o formato também fortalece a estratégia de publicidade da empresa, já que transmissões ao vivo reduzem a possibilidade de o público ignorar os anúncios.
Outra possibilidade em estudo é comercializar assinaturas de plataformas concorrentes diretamente pelo aplicativo da Netflix, modelo já adotado por empresas como Amazon e Apple. A companhia também ampliou os investimentos em conteúdos de menor custo, como videopodcasts, vídeos originalmente publicados no YouTube e produções em formato curto desenvolvidas por editoras como BuzzFeed e Condé Nast.
Na França, a Netflix iniciou um projeto-piloto ao incorporar a programação da emissora TF1, incluindo transmissões de notícias. A experiência poderá servir de modelo para acordos semelhantes em outros mercados, entre eles Europa e América Latina.
A empresa também avalia ampliar sua presença em esportes ao vivo. Embora não pretenda disputar os direitos completos de grandes ligas, executivos analisam oportunidades específicas, como uma eventual oferta pelos direitos de transmissão das Copas do Mundo de 2030 e 2034.
As discussões ocorrem em um momento de pressão sobre os resultados da companhia. Nos últimos 12 meses, as ações da Netflix acumulam queda superior a 40%, enquanto sua participação na audiência da TV nos Estados Unidos recuou para 7,8% em abril, segundo a Nielsen, o menor patamar desde maio de 2025.