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Energia

Huawei acelera negócio de US$ 11 bilhões em energia limpa e mira fábrica no Brasil

Divisão de energia da empresa chinesa já movimenta US$ 11 bilhões, participa de projeto em Fernando de Noronha e vê o Brasil como mercado estratégico para expansão.

14 de julho de 2026 por LIDE

 

 

Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil.Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil. (Foto: Divulgação)

A Huawei encontrou na transição energética uma nova frente de crescimento para seus negócios. Segundo a Bloomberg, a divisão Huawei Digital Power faturou mais de US$ 11 bilhões no último ano e amplia sua presença em mercados emergentes, como o Brasil, onde participa de um dos maiores projetos de armazenamento de energia da América Latina e avalia instalar uma unidade fabril no país.

A empresa é uma das fornecedoras de equipamentos para o sistema de armazenamento de energia que está sendo implantado em Fernando de Noronha. O projeto pretende reduzir a dependência do arquipélago do diesel utilizado para abastecer sua rede elétrica, substituindo parte da geração por fontes renováveis.

Criada para atuar em soluções de energia limpa, a Huawei Digital Power reúne um portfólio que inclui sistemas de armazenamento em baterias, inversores solares e infraestrutura para recarga de veículos elétricos. Embora represente uma parcela menor da receita da companhia, a unidade tem registrado crescimento de dois dígitos e se consolidou como uma das principais avenidas de expansão da empresa, especialmente após as restrições impostas pelos Estados Unidos e parte da Europa aos seus negócios de telecomunicações.

"A expansão da Huawei para a energia limpa e setores relacionados é um ponto de inflexão, cuja escala e urgência foram realmente aceleradas pelas sanções dos EUA", afirmou William Kirby, professor da Universidade Harvard e especialista em empresas chinesas.

No Brasil, a empresa já assinou contratos de armazenamento em baterias com capacidade para abastecer cerca de 90 mil residências por dia e lidera o fornecimento de inversores solares no mercado nacional, segundo a companhia. A Huawei também iniciou a comercialização de equipamentos para recarga de veículos elétricos, de olho no crescimento desse segmento.

Embora o alto custo da produção local ainda represente um desafio, a companhia vê o mercado brasileiro como estratégico para sua expansão na América Latina. "Não temos nenhum problema aqui [no] Brasil", afirmou Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil.

A expansão pode incluir uma fábrica no país. De acordo com Roberto Valer, diretor de tecnologia da Huawei Digital Power Brasil, a empresa avalia instalar uma unidade de produção local, embora os custos da fabricação ainda sejam um desafio. "Não temos nenhum problema aqui [no] Brasil", afirmou o executivo ao comentar o ambiente para novos investimentos.

A aposta acompanha o avanço global da transição energética. Dados da BloombergNEF mostram que os investimentos mundiais em tecnologias limpas alcançaram US$ 2,3 trilhões no ano passado, impulsionando a demanda por equipamentos para geração, armazenamento e distribuição de energia renovável. Nesse cenário, o mercado latino-americano de armazenamento de energia deve crescer, em média, 8% ao ano até 2034, segundo projeções da consultoria Wood Mackenzie.