Mudanças climáticas são o maior risco para o Agro em 2026
Estudo da EY revela os 10 maiores riscos e oportunidades para o setor em 2026.
Líderes do agro brasileiro apontaram as mudanças climáticas com impacto alto ou muito alto. (Foto: Magnific)
As mudanças climáticas são o principal risco para o agronegócio brasileiro em 2026, revela o estudo “Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026”, da EY, com recorte exclusivo para o Brasil. Entre os principais líderes do agro brasileiro, 79% apontaram as mudanças climáticas com impacto alto ou muito alto, evidenciando as dificuldades dos produtores em antecipar eventos extremos, como secas, enchentes e geadas, além da crescente pressão sobre crédito, seguro rural, acesso a mercados, cadeias de alimentos e biocombustíveis, volatilidade dos mercados, quebras de safra, exigências ambientais e possíveis disrupções logísticas.
“Vivemos um ambiente de policrise, marcado por incertezas, volatilidade e mudanças climáticas constantes, o que naturalmente impacta a confiança das empresas e reduz a disposição do mercado em responder e projetar cenários. Ao mesmo tempo, esse contexto também abre espaço para oportunidades e para a adaptação do setor. Isso passa, inclusive, pela modernização operacional e pela capacidade de as companhias compreenderem seu perfil de risco em um cenário cada vez mais complexo”, diz Otavio Lopes, sócio-líder de agronegócio da EY.
A gestão de pessoas é a segunda principal preocupação do setor em 2026. O agro é um dos segmentos que mais empregam no país e, somente em 2024, somava 28,2 milhões de trabalhadores. Além disso, a mão de obra passou a representar entre 20% e 40% do custo total da produção agrícola, o que reflete a urgência em formar, atrair e reter talentos qualificados diante da mudança estrutural impulsionada pela digitalização acelerada, pelo crescimento do setor e pela profissionalização das operações.
Na terceira posição, geopolítica e comércio internacional aparecem como desafios relevantes para empresas inseridas nas cadeias agrícolas brasileiras e com menor nível de preparação. Disputas comerciais, choques de insumos, guerras, pandemias e mudanças regulatórias podem redesenhar margens de uma safra para outra, ampliando a exposição do agronegócio às tensões geopolíticas e às oscilações do mercado internacional.
Outros temas relevantes do setor
Na sequência do ranking, políticas, reformas e regulações governamentais aparecem como o quarto tema de maior impacto potencial para o setor, ao mesmo tempo em que as empresas reconhecem um baixo nível de preparação. Regras tributárias, ambientais, de crédito e de incentivo moldam diretamente a rentabilidade, a competitividade e a viabilidade de determinadas atividades.
No meio da tabela, tecnologia, transformação digital e inovação aparecem como o quinto tema para o qual o setor agro se sente menos preparado, em um contexto de crescente exposição à concorrência internacional em mercados marcados por elevado grau de intervenção estatal, como subsídios, barreiras tarifárias e políticas de apoio ao produtor. “O avanço tecnológico torna-se fator determinante para ganhos de produtividade e crescimento sustentável. Estudos já identificaram, há dois anos, agtechs do país atuando em segmentos como financeiro, genética, saúde animal, e marketplace de insumos. Isso evidencia a intensidade da transformação digital no agro e a pressão para que empresas incorporem essas soluções de forma efetiva”, comenta Otavio.