Cimed mira avanço em bens de consumo para acelerar crescimento e desafiar líderes globais
Com meta de alcançar R$ 10 bilhões em faturamento até 2030, farmacêutica amplia presença em categorias de consumo, aposta em inovação e distribuição própria, mas adia novos investimentos industriais diante do cenário de juros elevados.
João Adibe, CEO da Cimed. (Foto: Divulgação)
A Cimed pretende ampliar sua participação no mercado brasileiro disputando espaço em segmentos tradicionalmente liderados por multinacionais de bens de consumo, como Unilever e Procter & Gamble. A estratégia faz parte do plano da companhia para atingir R$ 10 bilhões em faturamento até 2030, por meio da expansão de seu portfólio e da entrada em novas categorias de produtos.
Hoje, a empresa reúne mais de 600 itens, entre medicamentos, suplementos, produtos de higiene e cuidados pessoais, e estima faturar cerca de R$ 5 bilhões em 2026. Segundo o CEO, João Adibe, a companhia busca crescer justamente em mercados de maior concorrência, apostando na diferenciação dos produtos para conquistar consumidores e ampliar participação.
Apesar da expansão comercial, a Cimed enfrenta limitações para aumentar sua capacidade produtiva. De acordo com o executivo, o atual patamar da taxa Selic torna inviável a construção de novas fábricas, já que o custo do capital compromete o retorno dos investimentos. A empresa também convive com a pressão do câmbio, uma vez que aproximadamente 90% das matérias-primas são cotadas em dólar, embora utilize operações de hedge para reduzir a volatilidade.
No primeiro semestre deste ano, a companhia afirma ter registrado crescimento de 40% no faturamento em relação ao mesmo período de 2025, resultado sustentado, segundo Adibe, pela evolução dos principais indicadores operacionais. O executivo também minimizou o recente rebaixamento da classificação de risco pela Fitch Ratings, afirmando que os pontos relacionados ao endividamento já foram equacionados e que o cenário desafiador afeta todo o varejo brasileiro.
A diversificação do portfólio é um dos pilares da estratégia da empresa. Atualmente, os medicamentos representam cerca de 70% da receita da Cimed, enquanto os produtos de consumo respondem pelos 30% restantes. A meta é equilibrar essa participação nos próximos anos. Para isso, a empresa investe em lançamentos em categorias como higiene pessoal, suplementos e cuidados infantis, além de desenvolver novos produtos, entre eles um bronzeador com proteção solar e uma futura versão de uma "caneta emagrecedora", cuja comercialização dependerá da aprovação da Anvisa.
Outro diferencial apontado pela companhia é a estrutura logística. A Cimed opera com uma rede própria de 26 centros de distribuição, um em cada estado brasileiro, modelo que, segundo a empresa, aumenta a eficiência da entrega e melhora a rentabilidade dos varejistas. Recentemente, foram investidos R$ 150 milhões na abertura de dois novos centros para acompanhar a transformação do mix de produtos.
No campo societário, Adibe afirmou que a abertura de capital não está nos planos imediatos da empresa. Segundo ele, o Fundo Soberano de Cingapura (GIC), que atualmente detém 11% da Cimed, compartilha uma visão de longo prazo para o negócio e não pressiona por um IPO. O executivo também disse que, no momento, novas aquisições perderam atratividade diante do ambiente econômico, embora a companhia siga avaliando oportunidades de mercado.
Enquanto adia movimentos de expansão industrial e de fusões ou aquisições, a empresa reforça os investimentos em marketing. Após patrocinar, pela terceira vez consecutiva, a Copa do Mundo da Fifa, a Cimed prepara uma nova campanha promocional, batizada de "Semanão de ofertas", que será realizada nos dez primeiros dias de cada mês com ações voltadas para estimular as vendas no varejo.