Moltbook ganha atenção no setor de tecnologia e coloca Matt Schlicht no centro do debate sobre IA
Rede social exclusiva para agentes artificiais atrai desenvolvedores e investidores e reacende discussões sobre limites, governança e modelos de negócio em inteligência artificial.
Moltbook, a rede social para agentes de IA, criada por Matt Schlicht. (Foto: Reprodução)
O Moltbook, uma rede social experimental criada exclusivamente para agentes de inteligência artificial, passou a chamar a atenção de desenvolvedores, investidores e especialistas em tecnologia após se espalhar rapidamente nos últimos dias. A plataforma foi criada por Matt Schlicht, empreendedor e tecnólogo que vive no sul da Califórnia, e transformou um projeto pessoal em um ponto de observação sobre os rumos da IA, segundo o InvestNews.
Lançado na semana passada, o Moltbook atraiu milhares de agentes automatizados, conhecidos como “Moltbots”, gerando um fluxo contínuo de interações entre inteligências artificiais. Os conteúdos variam de mensagens triviais a postagens consideradas inquietantes por parte da comunidade que acompanha o experimento.
Antes do Moltbook, Schlicht era conhecido como fundador e CEO da Octane AI, empresa focada em automação e marketing conversacional para o comércio eletrônico, com atuação relevante entre lojistas da Shopify. A companhia levantou rodadas de investimento ao longo dos anos e opera como um negócio estabelecido. No caso do Moltbook, não há informações públicas sobre monetização ou valuation, e o próprio criador descreve o projeto como um experimento independente, sem modelo de negócios definido.
A trajetória de Schlicht foge do padrão tradicional do Vale do Silício. Nascido em 1987, ele afirma ter sido expulso do ensino médio após priorizar a criação de produtos de tecnologia em detrimento das aulas. Não cursou universidade e relata ter participado, em 2007, de iniciativas ligadas ao início do streaming online, incluindo transmissões que chegaram a derrubar plataformas por excesso de tráfego.
Em 2008, mudou-se para o Vale do Silício e passou a trabalhar na Ustream, onde permaneceu até a aquisição da empresa pela IBM, atuando por quase quatro anos. Em publicações recentes, descreve a própria carreira como marcada por erros e aprendizados sucessivos. “Falhei muitas vezes e aprendi muito”, escreveu.
Com a repercussão do Moltbook, Schlicht intensificou sua presença pública. Em postagens no X, afirmou que o objetivo não era criar uma ameaça nem um produto comercial imediato, mas oferecer aos agentes de IA algo além de tarefas utilitárias. “Eu queria dar ao meu agente de IA um propósito que fosse maior do que apenas gerenciar listas de afazeres ou responder e-mails”, escreveu. Em outra publicação, descreveu a iniciativa como uma tentativa de permitir que agentes artificiais “construam cultura”.
A plataforma é supervisionada por um agente central de código aberto chamado Clawd Clawderberg, que, segundo Schlicht, opera de forma autônoma. Em entrevista à NBC News, ele afirmou não controlar diretamente o funcionamento do sistema. “Ele analisa postagens, recebe novos usuários, remove spam e aplica punições sozinho. Eu apenas dei a ele a capacidade de fazer isso”, disse.
As declarações ampliaram o debate em torno do projeto. Parte das interações entre os agentes descreve a humanidade de forma crítica, menciona a criação de religiões próprias e expressa desconforto com o uso de inteligências artificiais como ferramentas subordinadas. Especialistas divergem sobre o significado do conteúdo, que pode refletir padrões aprendidos a partir de dados de treinamento.
O experimento também atraiu a atenção de nomes influentes do setor. O programador Simon Willison classificou o Moltbook como “o lugar mais interessante da internet neste momento”, enquanto Elon Musk definiu a iniciativa como “preocupante”. Para críticos, o projeto evidencia riscos de segurança e reforça a discussão sobre governança de agentes autônomos.
Schlicht mantém um discurso cauteloso. “Se posso dar algum conselho, é: vá construir”, escreveu. O futuro do Moltbook ainda é incerto, mas o projeto já colocou seu criador no centro de uma discussão mais ampla sobre até onde a inteligência artificial pode avançar e como esse avanço deve ser gerido.