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NEGÓCIOS

Hopi Hari projeta fase de crescimento com shopping, hotel e novas atrações até 2028

Nova controladora acelera expansão e prevê shopping aberto, hotelaria e novos brinquedos para ampliar receita recorrente.

10 de dezembro de 2025 por LIDE

HOPI-HARIPlano de expanção em investimentos do Hopi Hari inclui novas atrações e projetos imobiliários. (Foto: Divulgação)

O Hopi Hari concluiu seu processo de recuperação judicial e prepara um ciclo de expansão que prevê R$ 280 milhões em investimentos entre 2026 e 2028, segundo informações dadas à Bloomberg Línea. O plano inclui novas atrações, intervenções de paisagismo e projetos imobiliários para aumentar o fluxo recorrente de visitantes. Com o acordo aprovado pelos credores, a dívida do parque foi reduzida de R$ 1,4 bilhão para cerca de R$ 600 milhões.

Inaugurado em 1999 com a proposta de operar em padrão internacional, o parque de Vinhedo (SP) viveu anos de queda de público, gestão deficitária e incidentes que culminaram na abertura da recuperação judicial em 2016. Agora, sob nova administração, a expectativa é de retomada.

“Nosso objetivo é nos tornarmos o maior parque da América Latina. Vamos melhorar o resultado e temos como meta baixar a dívida para R$ 300 milhões nos próximos 12 meses”, afirmou à Bloomberg Línea o empresário luso-brasileiro Nuno Vasconcellos, do Brooklyn International Group, que controla indiretamente o empreendimento. Ele ocupa o cargo de CVO (Chief Visionary Officer), responsável pela estratégia de longo prazo da operação, que também tem Max Strand como CEO, Oliver Krause como COO e João Bornhausen como CFO.

A recuperação foi oficialmente encerrada em setembro por decisão da 1ª Vara de Vinhedo. A sentença, vista pela Bloomberg Línea, destacou que o parque cumpriu integralmente o plano entre 2022 e 2024, com parecer favorável da administradora judicial e do Ministério Público.

A nova fase inclui aquisição de equipamentos de fornecedores da China, dos EUA e da Europa, com mudanças mais visíveis a partir de 2026. “Vamos trazer novos brinquedos e novas atrações”, afirmou Vasconcellos.

Um dos projetos centrais é um shopping aberto inspirado em modelos como o The Grove, de Los Angeles, e o CityWalk da Disney. Os estudos de viabilidade começam em dezembro e devem levar dois a três anos. O empreendimento pretende aproveitar a rua principal e áreas externas do parque.

A expansão também contempla hotéis e apartamentos em áreas do estacionamento e terrenos adjacentes. A construção depende da atualização do plano diretor municipal, pois hoje a legislação limita edifícios a um ou dois andares. “Para crescermos em ritmo acelerado, precisamos atrair visitantes de outras regiões. Para isso, temos que oferecer hospedagem”, disse o executivo.

A meta é atingir 3 milhões de visitantes e faturamento de R$ 500 milhões entre 2028 e 2029. Em 2024, o parque recebeu 1,3 milhão de pessoas e gerou receita de R$ 210 milhões; para 2025, projeta entre 1,4 milhão e 1,5 milhão de visitas, crescimento de cerca de 20%. A margem Ebitda atual varia de 40% a 50%, com ticket médio entre R$ 163 e R$ 165.

Com o encerramento da recuperação judicial, a gestão planeja ampliar parcerias comerciais com marcas como Coca-Cola, Fanta e cervejarias. A futura abertura de novos parques na região — como o Cacau Park, anunciado pela Cacau Show para 2027 — é vista pelo grupo como oportunidade para reforçar o potencial turístico local. A localização, próxima a aeroportos de São Paulo e em uma região com 30 milhões de habitantes, é tratada como diferencial competitivo pela controladora.

O Brooklyn International Group detém 99,88% da HH Participações, dona do Hopi Hari, e já investiu mais de R$ 100 milhões desde que assumiu a operação em 2018. O plano de recuperação teve o BNDES como maior credor, com 80% da dívida total. O passivo com o banco, originalmente de R$ 227 milhões, chegou a quase R$ 400 milhões após correções. Os demais credores aceitaram deságio de 50%.

A controladora avalia uma futura abertura de capital ou operação de M&A em quatro a cinco anos, mas descarta novos investidores no curto prazo. “Somos investidores de longuíssimo prazo, não de curto prazo”, afirmou Vasconcellos.

Além do parque, o portfólio da família inclui veículos de mídia no Rio de Janeiro e cerca de 1 milhão de metros quadrados destinados a projetos imobiliários, incluindo um cemitério vertical na capital fluminense.