Família Paulus dobra participação e prepara nova fase da CVC no luxo
Fundadores ampliam fatia para 20% e, com novo CEO, estudam expansão no segmento de turismo premium.
Fabio Mader, CEO da CVC. (Foto: Almir Bonfim Jr/Divulgação)
A família Paulus dobrou sua participação na CVC Corp nos últimos dois anos, passando de cerca de 10% em novembro de 2023 para 20,02%, e estuda trazer ao Brasil a Biblos, marca argentina de turismo premium controlada pelo grupo desde 2021. As informações foram publicadas pela Bloomberg.
O aumento da participação ocorreu por meio de compras no mercado secundário, sem emissão de novas ações. A família afirma que observa o limite de 25% previsto na cláusula de poison pill aprovada em janeiro de 2025, que exigiria uma oferta pública de aquisição. “Não tem um limite nosso. Ao longo do tempo, podemos ir aumentando, mas há um poison pill na companhia”, disse Gustavo Paulus, vice-presidente do conselho de administração.
Os movimentos indicam a aposta dos fundadores no ciclo de recuperação da operadora, que projeta retorno à lucratividade em 2026. A família voltou a investir na empresa em junho de 2023, com aporte de R$ 75 milhões, após a saída do então CEO Leonel Andrade.
Paralelamente, a companhia confirmou estudos para expandir sua atuação no segmento premium com a possível criação da Biblos Brasil. “Estamos estudando trazer essa empresa para o Brasil e criar uma Biblos Brasil”, afirmou Fabio Mader, novo CEO da CVC.
Segundo o executivo, a nova marca ocuparia o topo do portfólio. “A Biblos Brasil ocuparia o topo da pirâmide, atendendo o ultra-premium que ainda não exploramos de forma dedicada no país”, disse. Hoje, a Visual Turismo atua no segmento high-end dentro do grupo.
Mader também destacou a estratégia digital da companhia. “60% do fluxo de clientes que vêm à loja é através dos meios digitais”, afirmou. A CVC planeja ampliar a presença em metabuscadores como Google Flights, Kayak e Skyscanner, como forma de capturar demanda.
No balanço financeiro, a dívida da empresa caiu de R$ 1,8 bilhão em junho de 2023 para R$ 1,3 bilhão. A alavancagem está em 1,8 vez o Ebitda considerando antecipação de recebíveis, ou 0,5 vez considerando apenas debêntures. “Essa redução vem da geração de caixa”, disse Paulus.
Analistas projetam que 2025 será o último ano de prejuízo, com virada para lucro e geração de caixa em 2026. O valor de mercado da companhia está em R$ 1,3 bilhão, e o resultado do quarto trimestre será divulgado em 18 de março.