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Debates do LIDE acompanham avanços estruturais do Brasil

Ao longo de 25 anos, temas como saneamento, concessões, reforma tributária e transição energética ganharam espaço nos fóruns do grupo e avançaram na agenda econômica nacional.

07 de agosto de 2026 por LIDE

GUS_5707André de Angelo, CEO da Acciona no Brasil. (Foto: Divulgação)

Quando o LIDE foi criado, o Brasil vivia um momento de crescimento econômico, mas ainda enfrentava gargalos históricos em infraestrutura, segurança jurídica, produtividade e inserção internacional. Duas décadas e meia depois, o país continua discutindo muitos desses desafios, mas em um ambiente institucional muito mais amadurecido, em parte graças à construção de espaços permanentes de troca entre o setor produtivo e o poder público.

Ao longo desse período, o LIDE tornou-se um dos principais ambientes de convergência entre empresários, governadores, parlamentares, ministros, reguladores e investidores, antecipando tendências e promovendo debates que mais tarde se transformariam em políticas públicas, marcos regulatórios e decisões estratégicas para o país.

O saneamento deixa de ser problema invisível

Poucos casos ilustram tão bem essa capacidade de articulação quanto o Marco Legal do Saneamento. Durante anos, o tema esteve presente em fóruns promovidos pelo LIDE, reunindo representantes da iniciativa privada, agências reguladoras, bancos de fomento e especialistas para discutir caminhos capazes de universalizar o acesso à água tratada e à coleta de esgoto.

A aprovação do novo marco regulatório criou metas nacionais de universalização, fortaleceu a padronização regulatória e ampliou a participação do capital privado no setor. O resultado foi uma aceleração sem precedentes de concessões e parcerias público-privadas em todo o país.

Os resultados já começam a aparecer. Dados recentes do Instituto Trata Brasil mostram avanços expressivos em municípios que ampliaram investimentos em saneamento. Em São Paulo, cidades operadas pela Sabesp figuram entre os melhores indicadores nacionais, impulsionadas por um ciclo recorde de investimentos e pela antecipação das metas de universalização.

Mais do que discutir infraestrutura, o debate promovido pelo LIDE ajudou a transformar o saneamento em uma agenda de impacto social, associando desenvolvimento econômico, saúde pública, qualidade de vida e sustentabilidade. "A Sabesp consolida sua liderança nacional ao posicionar cinco municípios entre os 20 melhores do país. Nossa meta é clara: antecipar as metas do Marco Legal do Saneamento de 2033 para 2029", afirma Samanta Souza, diretora-executiva de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp.

A consolidação das PPPs e concessões

Outro tema recorrente nos debates do LIDE foi o avanço das concessões e das parcerias público-privadas como instrumentos de modernização da infraestrutura brasileira.

Ao reunir representantes do BNDES, fundos internacionais, concessionárias, governos estaduais e órgãos de controle, os fóruns contribuíram para construir um ambiente institucional mais previsível para investimentos de longo prazo, sem deixar de focar na sustentabilidade.

A experiência da Acciona no Brasil simboliza essa transformação. "O modelo de deslocamento sustentável se baseia no desenvolvimento, ampliação e integração dos meios de transporte coletivos e individuais a fim de minimizar os impactos ao meio ambiente, além de oferecer menor custo e tempo de deslocamento à população", afirma André De Angelo, diretor País da Acciona Brasil.

Segundo o executivo, projetos como a Linha 6-Laranja do Metrô de São Paulo demonstram como a cooperação entre poder público e iniciativa privada pode acelerar investimentos, ampliar eficiência e gerar benefícios ambientais e sociais de longo prazo.

Reformas estruturais e competitividade

Ao longo de anos, representantes do setor produtivo utilizaram os fóruns do LIDE para discutir alternativas capazes de simplificar o sistema tributário brasileiro e aumentar a competitividade das empresas.

Para o deputado federal Aguinaldo Ribeiro, relator da reforma tributária, o Brasil precisa voltar a discutir projetos nacionais de longo prazo. "Não se discute o Brasil, não se discute aquilo que é essencial. Nós precisamos ter eleições discutindo um projeto de Brasil", destaca.

Segundo o parlamentar, a aprovação da reforma demonstrou que o país continua capaz de construir consensos em torno de agendas estruturantes. "Nós fizemos muito, andamos muito, temos por fazer, mas somos capazes de fazer", ressaltou.

Energia, minerais críticos e a nova geopolítica

A transformação energética mundial também passou a ocupar espaço central nos debates promovidos pelo grupo.

Paul Prates, head do LIDE Energia e ex-presidente da Petrobras, aponta que o mundo vive uma mudança estrutural comparável às grandes transformações energéticas do século passado. "Há pelo menos duas décadas, a demanda passou a ser o principal vetor de formação de preços, mais do que a oferta", observa Prates.

Prates avalia que a disputa geopolítica deixou de girar exclusivamente em torno do petróleo. "O debate atual vai muito além do petróleo. Estamos migrando para uma geopolítica em que minerais críticos, terras raras e recursos estratégicos para a eletrificação da economia ganham protagonismo", afirma.

Nesse cenário, o executivo diz que o Brasil reúne vantagens competitivas únicas por combinar recursos naturais, estabilidade institucional e capacidade de atração de investimentos internacionais.