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Tecnologia

Algoritmo passa a monitorar manobras perigosas de motociclistas em apps de mobilidade

Sistema identifica acelerações bruscas, excesso de velocidade e mudanças abruptas de direção; próxima etapa prevê detectar avanço de sinal vermelho e circulação na contramão.

22 de maio de 2026 por LIDE

habila-mazawaje-079sJy679Zw-unsplashFerramento de monitoramento desenvolvida pela 99 busca reduzir conduções perigosas. (Foto: Unsplash)

Sensores e algoritmos de monitoramento em tempo real estão sendo usados para identificar comportamentos de risco de motociclistas em plataformas de mobilidade urbana. A tecnologia acompanha movimentos como acelerações e frenagens bruscas, curvas acentuadas, mudanças repentinas de faixa e excesso de velocidade, com envio de alertas preventivos aos condutores. Segundo a Agência Globo, os próximos passos incluem o monitoramento de infrações como avanço de sinal vermelho, circulação na contramão e tráfego sobre calçadas.

Dados internos da 99, responsável pelo desenvolvimento da ferramenta, mostram que até 82% dos motociclistas conseguem corrigir comportamentos considerados perigosos após receberem notificações no aplicativo. O levantamento faz parte do Relatório de Direção da companhia e considera os três primeiros meses de 2026.

No Rio de Janeiro, cidade piloto da iniciativa, o melhor resultado foi registrado em março, quando 82% dos condutores alertados passaram a dirigir de forma mais segura após a advertência. Em outubro de 2025, a prefeitura da capital fluminense iniciou a fiscalização de manobras perigosas praticadas por motoristas de aplicativos, medida à qual a empresa aderiu.

Em janeiro deste ano, o índice de melhora foi de 48%. Em fevereiro, a taxa ficou em 14%, embora o percentual de motociclistas notificados por comportamento imprudente tenha sido o menor do período: 0,03% do total de parceiros cadastrados na cidade.

No cenário nacional, mais de 80% dos motociclistas alertados em março também apresentaram melhora na condução no mesmo mês. Em janeiro, o índice foi de 31%, enquanto fevereiro registrou 7%.

A gerente sênior de segurança da 99, Maria Luiza Marcolan, afirma que a plataforma exige nota mínima de 60% para que o motociclista continue operando normalmente.

“A gente manda uma mensagem para o motorista com nota menor que 60% para ter atenção. Se não melhorar seu comportamento em 15 dias, vai sofrer uma restrição. Nesse prazo de 15 dias, 30% já melhoram”, afirma.

O sistema prevê punições progressivas. Na primeira restrição, o motociclista fica cinco dias fora da plataforma. Em caso de reincidência no mês seguinte, o afastamento sobe para dez dias. Uma nova ocorrência gera suspensão de 30 dias e, em um quarto registro, o condutor pode ser bloqueado definitivamente.

Segundo a executiva, 60% dos motociclistas que sofreram uma primeira restrição apresentaram melhora no padrão de condução posteriormente.

A empresa também afirma ter registrado redução de 35% nos acidentes no primeiro trimestre de 2026, resultado superior ao observado no mesmo período de 2025, quando a queda foi de 11%.

“Essa diferença reforça o entendimento de que, quando se combina tecnologia e educação, é possível gerar impacto real na segurança viária”, diz Maria Luiza.