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Tecnologia

IA já responde por 71% do crescimento dos lucros do S&P 500

Levantamento mostra que empresas ligadas à inteligência artificial concentram quase metade do valor de mercado do índice e lideram expansão de receitas e margens em Wall Street.

18 de maio de 2026 por LIDE

millennial-young-chinese-businesswoman-working-late-night-stress-out-with-project-research-problem-laptop-meeting-room-small-modern-office-asia-people-occupational-burnout-syndrome-conceptCompanhias associadas ao segmento de IA sustentam a maior parte da expansão de receitas. (Foto: Freepik)

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma tendência tecnológica para se consolidar como o principal motor de crescimento corporativo em Wall Street. Segundo levantamento da Bloomberg Intelligence, empresas ligadas ao ecossistema de IA já respondem por 71,1% do crescimento dos lucros do S&P 500 e concentram cerca de 45% da capitalização de mercado do índice.

O estudo aponta que 44 companhias associadas ao segmento sustentam a maior parte da expansão de receitas, margens e resultados do mercado americano, em um movimento que vem redefinindo a liderança corporativa nos Estados Unidos. Segundo os analistas Nathaniel T. Welnhofer e Christopher Cain, da Bloomberg Intelligence, “a IA já não impulsiona apenas o S&P 500; cada vez mais, ela é o S&P 500”.

O avanço é liderado principalmente pelas fabricantes de semicondutores e pelas grandes plataformas de computação em nuvem. A Bloomberg Intelligence estima que os lucros do setor de chips avancem 122% em 2026, após uma média já elevada de 44,4% em 2025.

As empresas ligadas à IA projetam crescimento médio de lucros de 40,7% entre o primeiro e o quarto trimestre de 2026, quase o triplo dos 13,6% esperados para o restante do S&P 500. Em receita, o grupo deve crescer 24,2% no período, mais de três vezes os 7% projetados para as demais companhias do índice.

O segmento de semicondutores continua sendo o principal eixo desse ciclo. Segundo a Bloomberg Intelligence, as fabricantes de chips devem registrar crescimento de vendas de 53,7%, enquanto hyperscalers devem avançar 24,4% e empresas de infraestrutura de software, 19,7%.

O levantamento também aponta que a expansão da IA começa a alterar a própria estrutura financeira do mercado americano. Desde 2022, a margem líquida do S&P 500 passou de 12% para 14,1%, mas, sem as empresas ligadas à IA, as margens do restante do índice teriam recuado de 11,4% para 11%. Já as companhias de IA ampliaram suas margens em 1.327 pontos-base, alcançando 33%.

Apesar do avanço, o relatório destaca que os investimentos em infraestrutura de inteligência artificial também elevaram fortemente os gastos de capital das empresas de tecnologia. Desde o primeiro trimestre de 2024, o capex das companhias ligadas à IA quase triplicou, passando de US$ 60 bilhões para uma projeção de US$ 166 bilhões no primeiro trimestre de 2026. Até o fim do ano, esse valor pode atingir US$ 251 bilhões.

Segundo a Bloomberg Intelligence, a relação entre fluxo de caixa livre e capex caiu de 2,5 vezes em 2023 para uma projeção de 0,82 vez em 2026, aumentando a pressão sobre a capacidade das empresas de transformar os investimentos bilionários em retorno sustentável.