Petróleo leva Rio a superar São Paulo no tráfego de helicópteros
Operações entre o Aeroporto de Jacarepaguá e as plataformas offshore fizeram o terminal fluminense ultrapassar o Campo de Marte em pousos e decolagens.
Rio de Janeiro assume a liderança nacional no tráfego de helicópteros. (Foto: Unsplash)
O crescimento da produção de petróleo no litoral fluminense levou o Aeroporto de Jacarepaguá, na zona oeste do Rio de Janeiro, a superar o Campo de Marte, em São Paulo, e assumir a liderança nacional no tráfego de helicópteros. O terminal carioca concentra operações destinadas ao transporte de profissionais e ao apoio às plataformas offshore.
Em junho, Jacarepaguá registrou 6.630 pousos e decolagens, mais que o triplo dos 2.051 contabilizados no Campo de Marte, conforme informações da Bloomberg. Os números fazem parte do relatório comparativo do Centro de Gerenciamento da Navegação Aérea (CGNA), órgão ligado ao Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea).
Embora também receba voos executivos, táxis aéreos e operações relacionadas às atividades econômicas e turísticas da região, o movimento do aeroporto é impulsionado principalmente pela indústria de petróleo e gás.
“Hoje quem é responsável pelo número de operações do aeroporto é o petróleo”, afirmou Flávio Pires, CEO da Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag).
De acordo com o executivo, uma aeronave pousa ou decola a cada meia hora para atender à exploração de petróleo e gás no litoral. O avanço resulta da concentração, na capital fluminense, de operações antes distribuídas por bases localizadas entre o Espírito Santo e Macaé, incluindo o norte do estado do Rio.
“Os contratos de offshore, as aeronaves que prestam serviço para a Petrobras têm aumentado gradativamente nos últimos cinco anos”, disse Pires. Para ele, o tráfego deverá continuar crescendo à medida que novos contratos forem firmados.
A virada de Jacarepaguá sobre o Campo de Marte se consolidou no segundo semestre de 2025. Entre janeiro e novembro daquele ano, o aeroporto carioca somou mais de 22 mil operações de helicópteros adicionais na comparação anual, um crescimento de 36%.
Com mais de 90 mil operações de helicópteros em 2025, Jacarepaguá tornou-se o maior centro de aeronaves de asas rotativas do mundo, segundo Paul Malicki, CEO da plataforma de fretamento Flapper. O executivo atribui o avanço à combinação entre os voos offshore e os passeios panorâmicos realizados no Rio.
A liderança carioca, contudo, está relacionada ao fluxo de aeronaves, e não ao tamanho da frota. São Paulo continua reunindo o maior número de helicópteros baseados e hangarados, com cerca de 243 unidades, ante menos de 200 no Rio.
Concessionária de Jacarepaguá e do Campo de Marte, a Pax Aeroportos pertence ao fundo XP Infra IV, administrado pela XP Asset Management. A companhia assumiu os terminais após o leilão realizado em 2022 e já ampliou em 60% a área destinada aos passageiros no aeroporto carioca.
Em março, foram inauguradas obras de aproximadamente R$ 120 milhões em Jacarepaguá, incluindo restauração da pista, recuperação do pátio de aeronaves e modernização dos sistemas de iluminação e sinalização. As intervenções também preparam o terminal para receber navegação por instrumentos, permitindo operações em condições meteorológicas que atualmente provocam o fechamento da pista.
A Pax ainda estuda transformar Jacarepaguá e o Campo de Marte em bases para aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical, os eVTOLs. Caso o projeto avance, o aeroporto que hoje cresce impulsionado pelo petróleo poderá estar entre os primeiros do país a receber a aviação elétrica.