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Amazon abre logística a terceiros e intensifica disputa com Mercado Livre no Brasil

Com nova plataforma, empresa transforma infraestrutura em serviço e acelera expansão em um mercado estratégico.

05 de maio de 2026 por LIDE

amazon_reprodução redes sociais
Amazon transforma sua logística em serviço comercial para terceiros. (Foto: Divulgação)

A Amazon decidiu abrir sua rede logística, construída ao longo de 25 anos para uso próprio, e transformá-la em um serviço comercial para terceiros, movimento que amplia sua atuação no setor e intensifica a concorrência com grandes operadores globais e com o Mercado Livre no Brasil. Segundo o InvestNews, a iniciativa foi anunciada com o lançamento do Amazon Supply Chain Services.

A nova plataforma reúne serviços de logística integrada, como frete aéreo e marítimo, armazenagem e entrega de última milha, consolidando uma oferta de 3PL (third-party logistics). O movimento segue a lógica já aplicada pela companhia com a AWS, ao converter uma estrutura interna em uma fonte relevante de receita.

O mercado potencial para esse tipo de serviço é estimado em US$ 1,3 trilhão globalmente. Em 2025, a Amazon já gerou cerca de US$ 172 bilhões com serviços prestados a vendedores terceiros, o equivalente a 24% de sua receita total, indicando avanço na monetização da infraestrutura.

No Brasil, a estratégia ganha relevância diante da expansão acelerada da operação. Nos últimos 18 meses, a empresa adicionou 240 hubs logísticos, alcançando 300 unidades distribuídas em todos os estados. Com isso, passou a oferecer entregas no mesmo dia em mais de 200 cidades e no dia seguinte em cerca de 3.600 municípios.

O país deixou de ser periférico na estratégia global da companhia e passou a operar alinhado ao chamado “playbook global”, baseado em crescimento acelerado, subsídios a vendedores e rápida experimentação. Esse movimento foi reforçado por mudanças organizacionais que reduziram camadas hierárquicas e aproximaram a operação local da liderança global.

Apesar da expansão, a Amazon ainda parte de uma desvantagem relevante frente ao Mercado Livre em infraestrutura. Enquanto a companhia brasileira opera cerca de 3,4 milhões de metros quadrados de área logística no país, a Amazon possui aproximadamente 709 mil metros quadrados.

Essa diferença impacta diretamente a eficiência operacional, especialmente na proximidade dos estoques com o consumidor final, fator determinante para reduzir custos e acelerar entregas. O Mercado Livre, por exemplo, conseguiu absorver um crescimento de 41% no volume de envios em 2025, com quase 75% das entregas rápidas realizadas em até 48 horas.

Além da escala logística, o grupo latino-americano também conta com um ecossistema financeiro robusto por meio do Mercado Pago, que encerrou 2025 com 78 milhões de usuários ativos mensais e uma carteira de crédito de US$ 12,5 bilhões, ampliando as barreiras competitivas no mercado.

A aposta da Amazon está na velocidade de expansão. Com a abertura de cerca de três novos centros logísticos por semana em 2026, a companhia busca reduzir a distância estrutural e ganhar densidade operacional no curto prazo.

No entanto, essa estratégia deve pressionar margens no curto prazo, devido ao volume de investimentos e subsídios. A expectativa é que, com o aumento do volume e da utilização da rede, os custos unitários recuem, permitindo maior eficiência e rentabilidade ao longo do tempo.

Ao abrir sua infraestrutura logística e ampliar sua presença no Brasil, a Amazon reforça sua transição para um modelo de plataforma global de serviços, em que varejo, tecnologia e logística se integram em um único ecossistema competitivo.