Filie-se
Energia

CPFL se posiciona para consolidar distribuição de energia após renovação de contratos

Segundo o CEO Gustavo Estrella, companhia avalia ativos que possam chegar ao mercado enquanto amplia plano bilionário de investimentos.

15 de maio de 2026 por LIDE

Gustavo Estrella, da CPFL - DivulgaçãoGustavo Estrella, CEO da CPFL. (Foto: Divulgação)

Após renovar três contratos de distribuição de energia, a CPFL Energia passou a ter maior previsibilidade de longo prazo no segmento e se posiciona como potencial consolidadora do mercado, afirmou o CEO da companhia, Gustavo Estrella, à Reuters.

Segundo o executivo, a empresa controlada pela chinesa State Grid continuará priorizando o crescimento orgânico na distribuição, sustentado por um plano superior a R$ 25 bilhões em investimentos nos próximos anos para ampliar a base regulatória de ativos das concessionárias do grupo.

“A escala a gente já tem, o que nos habilita a olhar qualquer tipo de ativo que venha a mercado. Isso posto, vamos olhar caso a caso. A gente se coloca, sim, como sendo um agente consolidador desse mercado”, afirmou Estrella.

A CPFL e outras grandes empresas do setor elétrico assinaram recentemente aditivos contratuais com o governo federal, garantindo a renovação das concessões de distribuição por mais 30 anos. A expectativa do mercado é que, após essa etapa, algumas companhias possam decidir vender ativos.

Segundo Estrella, a renovação antecipada permitirá acelerar investimentos em modernização da rede, incluindo medição inteligente de consumo. O executivo, no entanto, defendeu mudanças regulatórias para que esses investimentos passem a ser reconhecidos anualmente nas tarifas de energia.

“Da forma como está, estamos falando em fazer todos os investimentos em medição inteligente em 20 anos. Não faz o menor sentido, a gente não tem esse tempo todo”, disse.

A companhia também vê desafios para 2026 ligados ao aumento da inadimplência nas contas de energia, diante da piora no endividamento das famílias e dos recentes reajustes tarifários aprovados para distribuidoras do grupo.

Outro ponto de atenção citado pelo CEO é o crescimento irregular de sistemas de geração distribuída solar conectados às redes das concessionárias. Segundo ele, inspeções identificaram clientes operando com capacidade até cinco vezes superior à aprovada originalmente, o que pode causar sobrecargas e danos na rede elétrica.

A Agência Nacional de Energia Elétrica avançou recentemente em medidas para combater ampliações irregulares em sistemas de geração distribuída, tema que preocupa distribuidoras e órgãos reguladores devido aos riscos operacionais ao sistema elétrico.

A CPFL reportou lucro líquido de R$ 1,91 bilhão no primeiro trimestre, alta de 18,2% na comparação anual. O Ebitda permaneceu estável, em R$ 3,86 bilhões.