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Premiê espanhol acusa Trump de jogar roleta russa com destino de milhões de pessoas

04 de março de 2026 Rariane Costa, Estadão Conteúdo

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, respondeu nesta quarta-feira, 4, às críticas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a decisão de Madri de não permitir que aviões americanos usem bases espanholas para atacar o Irã.

"É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões", afirmou Sánchez em pronunciamento nacional televisionado.

Durante a fala, o premiê reforçou a posição de seu governo em relação à guerra no Oriente Médio. "Não vamos ser cúmplices de algo que seja prejudicial ao mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém", disse, em referência às ameaças comerciais de Trump.

A tensão diplomática começou após o presidente americano criticar a Espanha durante reunião na Casa Branca com o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz, na terça-feira (3). Trump chegou a ameaçar cortar relações comerciais com Madri por não permitir o uso das bases espanholas para operações militares.

"Algumas nações europeias têm sido úteis, outras não. A Alemanha tem sido incrível. [...] Outros países, como a Espanha, são terríveis. Eu falei para encerrar todos os acordos com a Espanha", declarou.

O presidente americano também criticou o país por não cumprir a meta de elevar os gastos com defesa a 5% do PIB, conforme pedido aos aliados da Otan. "E agora a Espanha disse que não podemos utilizar suas bases. Podemos voar para lá, ninguém vai dizer que não pode, mas eles foram muito pouco amigáveis. A Espanha não tem nada que precisamos, a não ser um grande povo, mas eles não têm uma grande liderança", completou.

Em resposta, a Comissão Europeia manifestou total solidariedade à Espanha e afirmou estar pronta para defender os interesses do bloco caso seja necessário. "Por meio de nossa política comercial comum, estamos prontos para agir, se necessário, para salvaguardar os interesses da UE", disse o porta-voz Olof Gill, em comunicado divulgado após as ameaças de Trump.