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Almoço Empresarial

Institutos veem favoritismo de Lula, mas alertam para eleição volátil e decidida pelos não alinhados

Líderes dos principais institutos de pesquisa afirmam que a polarização permanece, mas a baixa mobilização dos eleitores, os índices de rejeição e os acontecimentos da campanha mantêm a disputa presidencial em aberto.

27 de julho de 2026 - Atualizado há 15 minutos por LIDE

Design sem nome (6)Líderes dos principais institutos de pesquisa do país analisaram o cenário político brasileiro durante o Almoço Empresarial LIDE. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)

Na avaliação de líderes dos principais institutos de pesquisa do país, os eleitores que não se identificam com o lulismo nem com o bolsonarismo poderão decidir a disputa presidencial de 2026. Reunidos nesta segunda-feira (27), durante o Almoço Empresarial LIDE, em São Paulo, os especialistas apontaram que a menor mobilização desse grupo mantém o cenário aberto e aumenta o peso dos acontecimentos da campanha até outubro.

As análises foram apresentadas por Felipe Nunes, CEO da Quaest; Luciana Chong, diretora do Datafolha; Andrei Roman, CEO da AtlasIntel; Murilo Hidalgo, presidente do Paraná Pesquisas; e o cientista político Antonio Lavareda, presidente de honra da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (ABRAPEL). Apesar das diferentes leituras sobre a disputa, os convidados ressaltaram que as pesquisas retratam o momento e não permitem antecipar o resultado das urnas.

Fundamentos favorecem Lula, mas eleição segue aberta

Em participação por vídeo, Felipe Nunes afirmou que Lula chega ao início da campanha em uma posição mais competitiva do que apresentava no começo do ano. Segundo o modelo apresentado pelo CEO da Quaest, a melhora na aprovação do governo fez a probabilidade de reeleição avançar de cerca de 38% para quase 60%.

A percepção sobre a economia e a aproximação dos eleitores independentes também passaram a favorecer o presidente. Em sentido contrário, violência e corrupção permanecem como os principais ativos eleitorais da oposição. De acordo com Nunes, lulismo e antipetismo concentram aproximadamente 35% do eleitorado cada, deixando a definição da disputa nas mãos dos independentes.

“Hoje, os modelos clássicos da ciência política apontam que Lula começa com uma condição de favoritismo maior do que os seus concorrentes. Isso está demonstrado. Mas essa parece ser uma eleição muito difícil de cravar. Os fundamentos favorecem o presidente, a agenda de preocupação favorece a oposição. Os independentes começam a se mover, mas ainda não estão completamente definidos”, afirmou.

Apesar da insatisfação de parte da população com as alternativas disponíveis e do desejo por um nome de fora dos dois polos, Nunes considera que o cenário mais provável continua sendo uma disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro. Para ele, os debates, a campanha e o desempenho individual dos candidatos terão peso decisivo.

Histórico recomenda cautela com projeções

Antonio Lavareda reforçou que as pesquisas devem ser interpretadas como um retrato do momento, e não como uma antecipação do resultado. Segundo o cientista político, em cinco das nove eleições presidenciais realizadas durante a Nova República houve uma alteração significativa na colocação dos candidatos entre julho e o dia da votação.

“Pesquisas não são bola de cristal, não servem para fazer projeção absoluta sobre o futuro, mas são extremamente importantes, sobretudo para a sociedade acompanhar a correlação de forças, os fatores envolvidos, as principais preocupações da população e a distribuição do apoio nos segmentos demográficos e nas regiões do país”, disse.

Na avaliação de Lavareda, novos acontecimentos e a eficiência das campanhas podem modificar as opiniões dos eleitores ou consolidar o quadro atual. Por isso, mesmo que as pesquisas indiquem uma polarização, a experiência das eleições anteriores recomenda cautela diante de previsões realizadas antes do início oficial da campanha.

Desgaste da base contrasta com vantagem eleitoral

O paradoxo entre o desgaste estrutural do lulismo e o favoritismo de Lula foi o principal ponto destacado por Andrei Roman. De acordo com o CEO da AtlasIntel, pesquisas de diferentes institutos mostram uma redução da base de apoio do presidente no Nordeste, entre os jovens e na classe C. Em alguns estados nordestinos, afirmou, a votação de Lula no primeiro turno pode cair até dez pontos em relação ao ciclo eleitoral anterior.

Mesmo diante dessa erosão, Lula aparece à frente nos cenários pesquisados pela AtlasIntel, com uma vantagem de aproximadamente dez pontos no primeiro turno e de sete pontos no segundo. Flávio Bolsonaro chegou a aparecer até três pontos à frente do presidente em simulações anteriores, mas perdeu terreno durante o período de pré-campanha.

“O que as pesquisas revelam neste instante, no entanto, é que Lula parte como favorito tanto no primeiro quanto no segundo turno”, afirmou Roman.

Para o executivo, a evolução da disputa mostra que fatores estruturais, como a avaliação do governo, a identificação político-partidária e a percepção econômica, não explicam sozinhos o comportamento eleitoral. A imagem dos candidatos, a retórica adotada e os acontecimentos da campanha também influenciam a decisão.

Roman avalia que o cenário negativo enfrentado por Flávio Bolsonaro poderá abrir espaço para candidaturas alternativas no primeiro turno. Ele destacou o desempenho de Renan Santos e o crescimento de Ronaldo Caiado, mas ponderou que uma eventual segunda etapa da disputa deverá ser mais influenciada pelas rejeições aos dois polos.

“Geralmente, quando você tem a estrutura apontando de uma forma totalmente diferente dos fatores conjunturais, isso é uma receita de volatilidade eleitoral”, resumiu.

Corrupção volta ao centro da disputa

Murilo Hidalgo também considera prematuro apontar um vencedor. O Paraná Pesquisas optou por não publicar levantamentos presidenciais neste ano, mas realiza pesquisas estaduais em quase todo o país. A partir desse acompanhamento, Hidalgo afirmou que as candidaturas ainda não estão completamente estruturadas e que entrevistas, sabatinas, denúncias e possíveis acontecimentos imprevistos poderão interferir no pleito.

“As pesquisas são a fotografia desse momento. Pela realidade de hoje, eu não teria medo de afirmar para vocês que nós teremos uma eleição de dois turnos”, disse.

Hidalgo recordou que fatos imponderáveis alteraram o curso das últimas três disputas presidenciais. Para o presidente do Paraná Pesquisas, a corrupção voltou a ocupar o centro das preocupações dos brasileiros e deverá dividir espaço com segurança pública, saúde e economia durante a campanha. Segundo ele, denúncias relacionadas ao tema podem provocar oscilações de cinco a seis pontos nas pesquisas.

São Paulo pode definir o resultado

A distribuição regional dos votos também deverá ser diferente da observada na eleição anterior. Hidalgo afirmou que Lula perdeu apoio no Nordeste, mas avançou no Sudeste, região em que atualmente aparece à frente nas pesquisas. Nesse cenário, São Paulo poderá assumir o papel tradicionalmente atribuído a Minas Gerais na definição da disputa nacional.

“Dessa vez, ao nosso ver, a eleição vai ser decidida no estado de São Paulo. São Paulo vai decidir quem é o próximo presidente”, afirmou.

Segundo Hidalgo, a vantagem atual de Lula sobre Flávio Bolsonaro está relacionada principalmente à melhora do desempenho do presidente entre os eleitores paulistas. A proximidade dos índices de rejeição, com uma diferença de aproximadamente três pontos entre os dois, também aponta para um segundo turno equilibrado. Em sua avaliação, mesmo uma vitória mais ampla dificilmente ultrapassaria uma proporção de 53% a 47%, caso não ocorram fatos novos.

Rejeição e desmobilização marcam o cenário

Luciana Chong apresentou os resultados da pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada na sexta-feira anterior ao encontro. O levantamento não mostrou mudanças relevantes em comparação com os meses anteriores e manteve Lula e Flávio Bolsonaro na disputa pela liderança do primeiro turno.

Lula permanece com cerca de 30% das intenções de voto desde o segundo semestre do ano passado, mas a rejeição aproxima os dois principais candidatos: 46% dos entrevistados rejeitam o presidente, enquanto 48% rejeitam Flávio Bolsonaro. Para Chong, a dinâmica repete o confronto de 2022, quando parte significativa do eleitorado escolheu um candidato para impedir a vitória do adversário.

“Acaba se tratando de uma eleição de rejeição. Muitos eleitores votam em Lula não por considerarem as suas propostas as melhores, mas para combater Bolsonaro. E muitos votam em Flávio também para combater a liderança de Lula”, afirmou.

A principal diferença em relação a 2022 está no nível de mobilização. No mesmo período daquela eleição, 25% dos entrevistados não citavam espontaneamente um candidato. Agora, o percentual chega a 37%. A indefinição é maior entre mulheres, jovens, moradores da região Sul e eleitores sem alinhamento com o lulismo ou o bolsonarismo.

Três grupos podem decidir a eleição

Segundo a diretora do Datafolha, três grupos deverão ser acompanhados com atenção durante a campanha: as mulheres, que representam 53% do eleitorado; as pessoas com 60 anos ou mais, equivalentes a cerca de 23%; e os não alinhados, que somam aproximadamente 24%.

Embora Lula tenha maior apoio entre as mulheres, 45% delas ainda não conseguem indicar espontaneamente um candidato. Entre as eleitoras evangélicas, que representam cerca de 15% do eleitorado, Flávio Bolsonaro aparece em vantagem, enquanto a rejeição a Lula chega a 62%.

O grupo com 60 anos ou mais representa uma das principais fortalezas do presidente. Além de ter crescido 74% desde 2010, esse segmento apresenta uma redução da abstenção ao longo das eleições. Atualmente, Lula tem 11 pontos de vantagem sobre Flávio Bolsonaro entre esses eleitores.

Já os não alinhados apresentam menor engajamento e podem definir o resultado. Nesse grupo, 53% não citam espontaneamente nenhum candidato. No primeiro turno, Lula tem 25% das intenções de voto, Flávio Bolsonaro aparece com 15%, e Zema, Caiado e Renan Santos somam 21%. Outros 25% ainda não escolheram um nome.

Em uma simulação de segundo turno, 40% dos não alinhados preferem Lula, 31% optam por Flávio Bolsonaro e 26% votariam em branco ou anulariam o voto. Flávio perdeu sete pontos entre esses eleitores na comparação com a pesquisa anterior.

“Os não alinhados são aqueles que realmente podem decidir a eleição”, afirmou Chong.

A pouco mais de dois meses do primeiro turno, o conjunto das análises mostra uma disputa ainda concentrada nos dois polos, mas marcada por menor mobilização do eleitorado e por uma parcela expressiva de votos em aberto. Lula começa em vantagem, enquanto a oposição encontra espaço nos temas que lideram as preocupações da população. Segundo os especialistas, o resultado dependerá da capacidade das campanhas de conquistar os eleitores ainda indefinidos e atravessar um cenário sujeito a mudanças até outubro.


O Almoço Empresarial teve patrocínio de Abrasel, Alpha Secure, BYD, CNSaúde, CNseg, Helbor e HBR, Secovi-SP, Universidade Brasil e XP Banco de Atacado. Foram Media Partners Brasil Confidencial, Jovem Pan, LIDE.com.br, Revista LIDE e TV LIDE. Bauducco, Mistral, Natural One e RCE Digital participaram como fornecedores oficiais.