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Saúde da mulher

Com IA, mamografia pode ajudar a avaliar risco cardíaco em mulheres

Estudo aponta que o exame pode evidenciar acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, fator que aumenta a chance de entupimento dos vasos.

06 de maio de 2026

doctor-checking-patients-healthExame pode evidenciar acúmulo de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, fator que aumenta a chance de entupimento dos vasos. (Foto: Freepik)

A mamografia, tradicionalmente usada para rastrear o câncer de mama, pode ganhar uma nova função: ajudar a prever o risco de doenças cardiovasculares. Com inteligência artificial (IA), pesquisadores dos Estados Unidos observaram que o exame pode identificar sinais precoces de alterações nas artérias, ampliando seu potencial para além da oncologia. Publicado em março no European Heart Journal, o estudo analisou dados de 123.762 mulheres submetidas à mamografia de rotina e sem histórico prévio de doença cardiovascular. A IA foi usada para medir a presença de depósitos de cálcio nas artérias mamárias, efeito associado ao envelhecimento e ao enrijecimento dos vasos sanguíneos. Essas alterações estão diretamente relacionadas a um maior risco de eventos cardiovasculares, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e insuficiência cardíaca.

“O estudo traz uma boa notícia, pois pesquisas mostram que as mulheres temem o câncer de mama, mas não têm tanta consciência de risco cardíaco que mata muito mais do que um tumor nessa parte do corpo. Por isso, elas fazem muito mais mamografias do que exames preventivos do coração”, observa a cardiologista Sofia Lagudis, do Einstein Hospital Israelita.

Incorporado à rotina de exames cardiovasculares, o procedimento poderia fornecer informações valiosas para identificar sinais precoces de doença aterosclerótica, além de auxiliar na estratificação de risco cardíaco e orientar medidas preventivas de forma mais personalizada.

Mas ainda seriam necessários mais estudos, já que há outros métodos validados. “Não se justifica a solicitação de uma mamografia com o objetivo primário de investigar doença coronária, uma vez que existem métodos diagnósticos mais específicos e direcionados para essa finalidade, especialmente no contexto de suspeita clínica, apesar de o exame das mamas apontar informações importantes nesse caso”, pondera o cardiologista Tito Paladino, da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).

O acúmulo de calcificação nas artérias observado na mamografia não é, por si só, um indicativo direto de eventos coronários ou de infarto agudo do miocárdio. Na realidade, a calcificação arterial representa uma manifestação da aterosclerose sistêmica, refletindo um processo difuso no organismo.

Daí a importância de novas análises para aprofundar esses achados. “Ainda é imprescindível validá-los em mais estudos, adaptar a ferramenta de IA ao equipamento convencional de mamografia, bem como avaliar a capacidade dos diversos aparelhos que fazem o exame em fornecer informação adequada”, pontua Lagudis.

Fatores de risco

“A calcificação das artérias é um processo cumulativo e irreversível, de modo que é preciso controlar os fatores de risco da melhor forma possível”, orienta a médica do Einstein. Entre as medidas protetivas estão manter pressão arterial, glicemia e colesterol em níveis adequados; adotar hábitos que protegem a saúde do coração, como não fumar e evitar o consumo alcoólico; seguir uma alimentação equilibrada, praticar atividade física regularmente e preservar um peso saudável.

Em mulheres, essa atenção se torna ainda mais importante com a chegada do climatério e o avanço da idade, fases em que a proteção hormonal diminui e o risco cardiovascular tende a aumentar.

Fonte: Agência Einstein