Eletromobilidade avança no Brasil e pode cortar 80% dos custos de motoristas, aponta 99
Seminário LIDE Energia/Eletromobilidade reúne autoridades e líderes empresariais para discutir avanços, desafios e oportunidades da transição energética no transporte brasileiro.
Thiago Hipolito, diretor de Inovação da 99. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A eletromobilidade foi apresentada como caminho sem volta para o Brasil durante o Seminário LIDE Energia/Eletromobilidade, promovido pelo LIDE, com curadoria de Jean Paul Prates, head do LIDE Energia. Reunindo representantes do poder público, da indústria e de empresas de tecnologia, o encontro destacou a urgência da transição energética no setor de transportes, os impactos ambientais da matriz atual e as oportunidades econômicas abertas pela nova cadeia produtiva.
Um dos destaques do debate foi a fala de Thiago Hipólito, diretor de Inovação da 99, que enfatizou os ganhos econômicos para quem está na ponta do sistema. “Carros elétricos geram 80% de redução de custo para o motorista”, afirmou. Segundo ele, a plataforma reúne mais de 2 milhões de motoristas conectados ao seu ecossistema, e um condutor que atua como QPP (condutor parceiro) roda, em média, 6 mil quilômetros por mês — bem acima da média da população em geral. Nesse cenário, a economia com combustível e manutenção torna o veículo elétrico ainda mais vantajoso.
No setor público, o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, reforçou o compromisso da capital paulista com a descarbonização da frota. “Não quero mais um caminhão a diesel até o final de 2027”, declarou. Ele lembrou que, desde 2022, a prefeitura proibiu a inclusão de novos ônibus a diesel na frota municipal e que a cidade tem substituído cerca de mil coletivos por ano. De acordo com o prefeito, 64% das emissões de dióxido de carbono vêm dos veículos. Cada ônibus a diesel consome cerca de 35 mil litros de combustível por ano, enquanto um elétrico deixa de emitir 87 toneladas de CO2 anuais — o equivalente ao plantio de 6.400 árvores. Embora o custo inicial de um ônibus elétrico seja até três vezes maior, Nunes afirmou que a economia operacional faz com que o investimento seja vantajoso, especialmente com a possibilidade de redução de até 25% nos custos por meio do mercado livre de energia.
Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A visão de transformação estrutural também foi defendida por Iêda Maria, diretora comercial da Eletra, empresa líder em eletrificação de ônibus no país. Para ela, a mudança vai além da retirada dos veículos a diesel das ruas. Trata-se de um novo momento, que envolve qualidade de vida, conforto — com menos ruído e solavancos — e uma cidade mais conectada ao cotidiano das pessoas. A executiva destacou ainda que a transformação atinge toda a cadeia, inclusive com a necessidade de qualificação profissional nas garagens e centros de manutenção.
Iêda Maria, diretora comercial da Eletra. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A expansão da eletromobilidade para outros modais também foi tema do seminário. Ricardo Guggisberg, presidente do Instituto Brasileiro de Mobilidade Sustentável, citou exemplos como balsas híbridas e o uso de drones no setor aéreo, reforçando que “a eletromobilidade é o futuro que chega rápido”. Já Daniel Caramori, da General Motors, destacou que o Brasil, com cerca de 90% de sua matriz energética limpa, está preparado para receber veículos elétricos em larga escala, desde que haja coordenação entre os diferentes atores do setor.
Vice-presidente da BYD, Alexandre Baldy afirmou que a mobilidade elétrica abre oportunidades de empreendedorismo e verticalização da cadeia produtiva, inclusive na mineração. Segundo ele, a empresa conta com 122 mil engenheiros — quase 15 mil doutores — dedicados a estudar as melhores rotas tecnológicas para seus ecossistemas. O executivo também alertou que a poluição responde por 26% das emissões que impactam a saúde, reforçando a necessidade de políticas públicas efetivas.
Alexandre Baldy, vice-presidente da BYD. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
O evento ainda ressaltou o papel da Aliança pela Mobilidade Sustentável como articuladora entre empresas, poder público e sociedade civil para acelerar a transição energética. A iniciativa busca integrar esforços, propor políticas públicas e estimular investimentos que tornem a eletromobilidade não apenas uma alternativa ambientalmente responsável, mas também um vetor de desenvolvimento econômico e social para o país.
Evento reuniu autoridades e líderes empresariais para discutir avanços, desafios e oportunidades da transição energética no transporte brasileiro. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
O Seminário LIDE Energia/ Eletromobilidade tem patrocínio da BYD, Eletra, Loga e 99. As mídia partners são Jovem Pan, lide.com.br, Revista LIDE e TV LIDE. Os fornecedores oficiais são 3 Corações, Bauducco, Natural One e Águas da Prata. Os operadores de tecnologia são Netglobe, RCE, TCL Semp e The Led.