Desafio da transição energética é escolher melhor fonte para cada aplicação
O grande desafio da transição energética é escolher as melhores tecnologias para cada aplicação. A perspectiva foi apresentada pelo presidente da Aurum Energia, José Mauro Coelho, durante palestra no primeiro dia do Energy Summit 2026, que ocorre até a quinta-feira, 25, na Marina da Glória, no Rio de Janeiro. "Temos de analisar os atributos positivos e negativos de cada fonte. E o Brasil precisa buscar essa complementaridade e equilíbrio", destacou o executivo, citando a problemática atual dos cortes de geração de energia elétrica eólica e solar (curtailment).
"Vemos o Brasil falando em ser polo de data center, e todo mundo quer ter um carro elétrico, mas acho que o grande desafio não é o quanto vai aumentar em geração de energia, mas como vai se operar tudo isso no sistema", avalia Mauro Coelho. Ele ainda salienta que o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) admite que a operação mudou completamente, com altos índices de complexidade e que o próprio Operador ainda está entendendo como tudo funciona.
Em sua apresentação, o ex-presidente da Petrobras por 68 dias ressaltou que o País caminha para se tornar um dos cinco maiores produtores e exportadores de petróleo. No ano passado o País estava na décima posição, com 1,35 milhões de barris por dia, conforme a plataforma Ycharts. Além da frente ligada ao óleo e gás, foram destacados os potenciais hidroelétrico, eólico, fotovoltaico e da bioenergia para a substituição gradual dos combustíveis fósseis avançar e ajudar no combate às mudanças climáticas.
Estamos vivendo transformações globais no uso da energia
Para o especialista, todos os países precisarão olhar as tecnologias disponíveis a partir do trilema da segurança energética em tempos de globalização, da sustentabilidade ambiental e financeira, além da equidade energética, em entregar a energia a todos de forma justa. "Estamos vivendo transformações globais no uso da energia, com diversos setores sendo afetados, como o de transportes e o próprio energético", analisa.
O executivo lembra que o Brasil teve o quinto maior fluxo de investimento estrangeiro direto em 2025, somando US$ 74 bilhões. E que possui trunfos importantes para diminuir os gases de efeito estufa, como a matriz elétrica renovável e a vice-liderança global na produção de biocombustíveis líquidos, vide etanol e biodiesel.
Eólica offshore e interiorização do gás
Questionado sobre o advento da eólica offshore, Mauro vê boas perspectivas com a extensa faixa litorânea brasileira. Mas sinaliza que ainda existe muito potencial ainda em terra (onshore), além do Capex para implementação dos aerogeradores em mar ser muito maior, apesar dos índices de eficiência também. "Antes de ir para a offshore, temos que expandir o potencial interno", avalia.
Já sobre o gás natural, tido como elemento fundamental da transição, o principal desafio nacional é levar o insumo para o interior do país e assim ajudar a descarbonizar indústrias que preferem o diesel ou outros combustíveis mais em conta financeiramente. "O preço para a indústria brasileira usar o gás é de US$ 20 o milhão de BTU, enquanto nos Estados Unidos esse valor é de apenas US$ 4,3".
Por fim, o executivo ressaltou que o sucesso do Brasil na transição também poderá significar a exportação de produtos e soluções para outros países com maior dificuldade nessa agenda. "Temos condição de atender nossa demanda e também exportar isso pro mundo. Desde o sebo bovino para fazer SAF ao hidrogênio renovável", conclui.