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Bolsas de NY fecham em baixa, com liquidação de techs ofuscando fim do shutdown nos EUA

03 de fevereiro de 2026 Matheus Andrade, especial para AE, Estadão Conteúdo

As bolsas de Nova York fecharam em baixa nesta terça-feira, 03, em sessão marcada por cautela diante da liquidação no setor de tecnologia. Investidores ponderaram possíveis os efeitos da inteligência artificial (IA) para uma série de segmentos e o aumento das tensões geopolíticas, que contrastaram com o fim do shutdown nos EUA.

O Dow Jones fechou em baixa de 0,34%, aos 49.240,99 pontos, enquanto o S&P 500 caiu 0,84% aos 6.917,81 pontos e o Nasdaq teve queda de 1,43%, aos 23.255,19 pontos.

Ações de gestores de fundos privados caíram de forma acentuada em meio a preocupações de que o advento da IA prejudicará seus investimentos em software, após a Anthropic lançar novos recursos voltados à automação de tarefas jurídicas. Ares Management e da Blue Owl Capital cederam 10,67% e 9,37%, respectivamente. A Apollo Global Management (-4,74%), a LegalZoom.com (-19,69%) e a KKR (-9,69%) acumularam fortes perdas. Empresas de dados, comunicação e publicidade, como a Thomson Reuters (-15,67%), também foram afetadas.

Expostos a investimentos em IA, Goldman Sachs (-0,81%) e Morgan Stanley (1,16%) caíram na contramão de pares. Para a estrategista global da XP, Maria Irene Jordão, a queda reflete ainda reversão das tendências registradas pelos grandes bancos em janeiro, com JPMorgan e Citi - mais concentrados na área comercial - em alta de 2,15% e 1,28%.

Entre grandes empresas de tecnologia, a IBM (-6,49%), Salesforce (-6,85%), Micron (-4,18%), Nvidia (-2,84%), e Microsoft (-2,87%) figuraram entre as maiores perdas. Entre criptomoedas, Strategy (-4,58%) e Coinbase (-4,36%) seguiram queda do bitcoin ao menor nível desde 2024.

A Tesla avançou 0,04%, ante notícia de que terá participação de 2% na fusão da SpaceX-xAI. Já ADR da Novo Nordisk caiu 14,59%, após a farmacêutica dinamarquesa afirmar que espera vendas menores este ano, à medida que avalia os preços mais baixos do Ozempic e do Wegovy nos EUA, pesando também rival Eli Lilly (-3,90%).

Na azul, o Walmart subiu 2,94%, ultrapassando a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado pela primeira vez. Com tensões geopolíticas e alta do petróleo, a Chevron e a Exxon Mobil avançaram 2,32% e 3,86%, nesta ordem. A Freeport-McMoRan (+6,43%) e a Newmont (3,80%) se recuperaram em linha com metais básicos e preciosos.

Entre os balanços, a Palantir Technologies saltou 6,84%, após divulgar ganhos e receitas trimestrais acima das estimativas de Wall Street. A PepsiCo subiu 4,83%, após relatar lucro e receita trimestrais mais altos.