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Entrevista

Orient supera R$ 600 milhões no Brasil e reforça liderança no setor de relógios

Com operação industrial robusta e foco em inovação, marca japonesa consolida posição de destaque no mercado brasileiro.

07 de abril de 2026 por Revista LIDE

Rodrigo Anzanello, diretor de Produtos da Orient Brasil (crédito Elcio Moreno)Rodrigo Anzanello, Diretor de Produtos da Orient Brasil. (Foto: Élcio Moreno/Divulgação)

A Orient amplia sua liderança no mercado brasileiro de relógios ao superar a marca de R$ 600 milhões em faturamento anual, consolidando uma posição de destaque em um setor cada vez mais competitivo. A companhia mantém vantagem de dois dígitos em relação ao principal concorrente, sustentada por uma estratégia que combina tradição relojoeira, desenvolvimento tecnológico próprio e forte presença no varejo físico.

A operação industrial no Polo Industrial de Manaus reforça esse protagonismo. A Orient é a única empresa do setor instalada no polo a ultrapassar esse patamar de faturamento, evidenciando sua relevância econômica e industrial dentro de um dos principais centros produtivos do país.

No portfólio, a empresa lidera o segmento de movimentos automáticos — considerado o mais emblemático da relojoaria —, preservando a tradição mecânica como diferencial competitivo. Ao mesmo tempo, amplia sua atuação em inovação, com destaque para o desenvolvimento de relógios de quartzo autossuficientes em energia, que aumentam a autonomia dos produtos e reduzem a necessidade de manutenção e descarte de baterias.

Posicionamento

Fundada no Japão em 1950, a Orient construiu uma reputação global baseada na combinação entre precisão, qualidade e design. Reconhecida pelo desenvolvimento próprio de movimentos mecânicos e de quartzo, a marca une a credibilidade da relojoaria tradicional aos avanços tecnológicos contemporâneos. Hoje, seus produtos estão entre os mais desejados em mercados como Oriente Médio, América do Sul, Estados Unidos, Ásia e Europa.

A empresa também acompanha as transformações do consumo e avança no segmento de relógios conectados, liderando em número de unidades entre os fabricantes da Zona Franca de Manaus. A integração entre tecnologia, funcionalidade e design reforça o posicionamento da marca diante de um consumidor cada vez mais exigente e digital.

“Foi o melhor ano da história da empresa no Brasil. Continuamos comprometidos em buscar excelência na experiência que proporcionamos aos nossos clientes e revendedores levando ao mercado brasileiro marcas internacionais e tecnologia própria”, afirma Rodrigo Anzanello, Diretor de Produtos da Orient Brasil.

Com uma base industrial sólida, portfólio diversificado e investimentos contínuos em inovação, a Orient reforça sua posição como uma das principais forças do mercado relojoeiro brasileiro. Leia entrevista completa.

A Orient vem ampliando sua liderança no mercado brasileiro. Quais foram os principais fatores estratégicos que sustentaram esse crescimento recente?

Hoje, a organização tem mais de 12 marcas e talvez um dos fatores estratégicos mais importantes é a consistência dela e o portfólio de marcas que ela tem. Ela atende desde relógios do segmento de entrada até o segmento da alta relojoaria dentre suas 12 marcas. Então, essa consistência no mercado brasileiro, o fato de ter no seu portfólio marcas globais e marcas com tecnologia própria são responsáveis por essa liderança no mercado.

O faturamento superior a R$600 milhões posiciona a operação brasileira como um destaque dentro do grupo. Qual é o papel do Brasil na estratégia global da marca hoje?

O Brasil é uma das operações mais importantes da marca Orient no mundo. O Japão usa o Brasil como uma das suas principais plataformas para novos calibres ou tecnologias.

A presença industrial no Polo de Manaus é um diferencial importante. Como essa estrutura contribui para competitividade, inovação e escala no mercado nacional?

Obviamente, você estar em Manaus montando alguns dos produtos da marca te traz mais competitividade, mas, além disso, alguns países, como o próprio Japão, enfrentam algumas situações em termos de mão de obra. Então, você dividir a montagem desses produtos, ajuda na competitividade da marca aqui e globalmente.

O segmento de relógios automáticos segue como um dos pilares da marca. Como a Orient equilibra tradição relojoeira com as novas demandas do consumidor contemporâneo?

Eu acho que a demanda por relógios automáticos só vem aumentando. E por que ele aumenta? Os consumidores contemporâneos buscam produtos que tenham alguma alma ou significado verdadeiro. Os movimentos automáticos, são uma tecnologia de quase 200 anos, mas eles são montados à mão e marcam o tempo com precisão e duram décadas, sendo autossuficientes em energia, ou seja, eles são muito interessantes comparados a produtos eletrônicos que são perecíveis em dois ou três anos.

A empresa também investe em tecnologias como modelos autossuficientes em energia e relógios conectados. Como a inovação vem transformando o portfólio da companhia?

A empresa hoje tem um portfólio de marcas mais extenso do que era quando iniciou as atividades e tinha uma marca apenas. Qual a ideia disso daqui? É você atender os nichos diferentes, mas sempre buscando atender eles com a melhor tecnologia e o melhor custo-benefício possível. Então, hoje, temos as marcas que são específicas para quem busca relógios conectados e nas marcas de relógio profissionais e manufaturados nós buscamos sempre movimentos ou calibres que são autossuficientes em energia, como no caso da Orient e da Seiko.

O mercado de relógios passa por mudanças com a digitalização e novos hábitos de consumo. Como a Orient enxerga o comportamento do consumidor brasileiro nesse cenário?

Agora com mídias sociais, com as marcas estando presentes basicamente no seu celular, o que acontece no exterior em segundos tá acontecendo no Brasil. Então, nós entendemos que hoje o consumidor brasileiro, demandará o mesmo tipo de produto que o consumidor americano, europeu ou asiático. Eles querem as novidades, os lançamentos no mesmo momento. Então, essa digitalização fez com que o consumidor brasileiro se tornasse mais exigente com os produtos que ele está consumindo e exigisse mais rápido das empresas que elas tivessem o mesmo tipo de produto que você encontra no exterior.

Em um ambiente competitivo, qual é o principal diferencial da marca frente aos concorrentes no Brasil hoje?

A Orient é uma marca japonesa que tem 76 anos, 53 anos de Brasil e é uma das pouquíssimas marcas do mundo que tem a dominância de fabricar o próprio calibre, seja ele quartzo, seja ele automático. Então, o fato de dominar essa tecnologia a coloca num grupo seleto de marcas mundiais que fazem isso. Hoje, não existe nenhuma marca brasileira que tenha uma situação dessas. Basicamente, só marcas suíças e japonesas se encontram nessa posição.

Quais são as prioridades estratégicas da Orient Brasil para os próximos anos em termos de expansão, inovação e posicionamento de marca?

Em termos de expansão, prevemos que o mercado vai continuar crescendo nos próximos anos. O nosso portfólio de marcas vai continuar buscando a sua expansão, obviamente selecionando os clientes para cada uma das suas marcas. Em termos de inovação, continuaremos desenvolvendo calibres novos de produção in-house. E o posicionamento da marca Orient no Brasil é cada vez mais ser a porta de entrada de quem busca um relógio profissional. E o que que é um relógio profissional? É um relógio de uma marca que começou como marca de relógio, é uma marca que é global e é uma marca que fabrica os próprios calibres.