Dificuldades com IA e cibersegurança são principais riscos para telecom neste ano, diz estudo da EY
Persistência de sistemas legados e complexidade de descomissionar redes antigas, além de aumento das fraudes, prejudicam a transformação digital no setor.
José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações da EY para América Latina. (Foto: Divulgação)
O setor de telecomunicações foi um dos primeiros a reconhecer a relevância da inteligência artificial para a sobrevivência dos seus negócios, mas enfrenta dificuldades de implementar essas iniciativas. Esse risco está entre os principais deste ano para essas empresas, de acordo com o estudo “Os dez principais riscos nas telecomunicações em 2026”, produzido pela EY. Embora essas organizações estejam avançando na adoção da IA, alguns desafios estão tornando lenta essa aplicação no dia a dia do negócio.
As principais preocupações dos CEOs de telecom incluem restrições de recursos, inclusive financeiros, e dificuldade de desenvolver estruturas de governança eficazes para o uso de IA, de acordo com a pesquisa Responsible AI Pulse, também da EY, utilizada como referência para a projeção dos dez riscos do setor em 2026. Enquanto 33% dos CEOs planejam acelerar o investimento em IA, quase a mesma porcentagem (32%) está reduzindo ou reconsiderando esses aportes. Ao mesmo tempo, as funções de cibersegurança dessas empresas se mostram despreparadas para lidar com um cenário de fraudes em pleno crescimento, motivo pelo qual esse risco também está entre os mais relevantes para este ano.
“O aumento das fraudes no ambiente online amplia a desconfiança do consumidor, exigindo respostas rápidas e eficazes do setor de telecom em um cenário de predomínio da vulnerabilidade, que se estende inclusive aqui no Brasil para as ligações telefônicas nos golpes de engenharia social”, diz José Ronaldo Rocha, sócio e líder de consultoria para Tecnologia, Mídia & Entretenimento e Telecomunicações da EY para América Latina. “A IA traz novos desafios para o trabalho de cibersegurança na medida em que tem sido usada para tornar os ataques mais sofisticados e de difícil detecção, elevando as chances de sucesso. Por outro lado, a IA também pode fazer parte dos esforços de prevenção dessas ameaças, integrando as estratégias de cibersegurança das organizações”, completa.
Ganho de eficiência
Sobre a transformação digital, na qual fazem parte os esforços de IA, o executivo pontua que o avanço de tecnologias estruturais como o 5G inseridas tem sido prejudicado por sistemas legados, barreiras culturais e falta de qualificação. “O desafio é assegurar que os investimentos em novas tecnologias gerem eficiência e novos modelos de receita, sem apenas aumentar os custos de uma infraestrutura já complexa. Houve progresso na implementação do 5G, mas a plena transformação digital ainda esbarra na persistência de sistemas legados e na complexidade de descomissionar redes antigas”, observa.
Ainda segundo o executivo, esses desafios se somam às pressões para desligar redes móveis (2G/3G) e fixas (cobre), exigindo gestão cuidadosa para garantir confiabilidade e mitigar riscos. “Os estudos indicam que as empresas de telecomunicações consideram essencial substituir sistemas de suporte operacional e de negócios (OSS/BSS) por sistemas digitais (DSS). No entanto, o ritmo e escopo dessas transformações dependem de fatores como a escolha de plataformas de nuvem, grau de dependência de parceiros e integradores e ambições relacionadas à monetização de novos serviços”, finaliza o executivo.