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Tecnologia

72% dos CEOs brasileiros vão ampliar investimentos em IA

Estudo da EY-Parthenon mostra avanço da tecnologia nas estratégias empresariais, enquanto cibersegurança e privacidade lideram as preocupações dos executivos.

28 de julho de 2026 por LIDE

Leandro Berbert, sócio de Estratégia e Transações da EY Brasil.
Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. (Foto: Divulgação)

A inteligência artificial deve receber mais recursos das grandes empresas brasileiras. Segundo o CEO Outlook, levantamento da EY-Parthenon, 72% dos CEOs do país pretendem ampliar os investimentos na tecnologia, enquanto os demais 28% planejam manter os aportes no nível atual.

As informações são da Bloomberg.A pesquisa ouviu 50 executivos de diferentes setores entre março e abril de 2026, com predominância de grandes companhias. Entre os participantes, 28% representam organizações com receita anual entre US$ 5 bilhões e US$ 9,9 bilhões.

“A IA está migrando de iniciativas pontuais para aplicações que impactam diretamente a tomada de decisão, produtividade, experiência do cliente e geração de receita. Tudo indica que será um tema que ganhará ainda mais espaço”, afirmou Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon.

A confiança também se estende a outras tecnologias emergentes. Nove em cada dez CEOs demonstraram otimismo em relação a esses investimentos, sendo 36% muito otimistas e 54% um tanto otimistas.

Nas empresas, os principais impactos da IA já são percebidos nas operações ou na produção, no atendimento e na experiência do cliente e na estratégia e tomada de decisões. Cada uma dessas áreas foi mencionada por 42% dos executivos. Cadeia de suprimentos e compras aparecem na sequência, com 38%.

IA muda estratégia para a força de trabalho

Para 84% dos CEOs, a qualificação dos profissionais em inteligência artificial será determinante para definir as empresas líderes do futuro. Nos próximos três anos, os executivos esperam que a tecnologia transforme principalmente as estratégias relacionadas à força de trabalho.

A ampliação das contratações para funções ligadas a inteligência artificial, dados e áreas digitais foi citada por 22% dos entrevistados. A requalificação dos atuais funcionários e o redesenho de funções para combinar capacidades humanas e IA aparecem em seguida, ambos com 20%.

Apenas 4% dos CEOs mencionaram a redução das contratações em determinadas funções como consequência da adoção da tecnologia.

Cibersegurança lidera riscos

A expansão da IA também eleva a atenção sobre segurança digital. Ameaças à cibersegurança e à privacidade de dados foram apontadas por 26% dos CEOs como o principal risco para os negócios nos próximos 12 meses.

O tema ficou à frente das tensões geopolíticas, instabilidade e conflitos, citados por 16%; da incerteza regulatória ou política, com 14%; e das interrupções no comércio e nas cadeias de suprimentos, com 12%.

“À medida que as empresas aceleram a adoção de IA, aumentam também as preocupações relacionadas à governança, qualidade dos dados, privacidade, riscos regulatórios e exposição cibernética”, afirmou Berbert.

Segundo o executivo, a segurança digital deixou de ser tratada apenas como uma questão operacional. “O que era visto como um tema operacional passou a ser percebido como um risco estratégico para crescimento, reputação e continuidade dos negócios”, disse.

CEOs mantêm apetite por negócios

Apesar das incertezas, nenhum dos executivos entrevistados pretende permanecer inativo em transações corporativas nos próximos 12 meses. As joint ventures lideram as intenções, mencionadas por 52% dos CEOs, seguidas por fusões e aquisições, com 50%.

Desinvestimentos aparecem com 32%, enquanto alianças estratégicas foram citadas por 24%. Entre os CEOs que planejam fusões e aquisições, todos pretendem ampliar o apetite por negócios em relação a 2025: 64% esperam crescimento moderado e 36%, uma expansão significativa.

Na avaliação de Berbert, joint ventures e alianças permitem acessar novos mercados, tecnologias e capacidades com menor consumo de capital e risco de execução. “Os resultados mostram que os CEOs continuam comprometidos com investimentos que apoiem o crescimento e a transformação dos negócios, mas com uma abordagem cada vez mais criteriosa diante do cenário de incertezas”, afirmou.