Filie-se
Indústria automotiva

Volvo avalia abrir fábricas na Europa para produção de marcas da Geely

Montadora sueca sinaliza uso de capacidade produtiva local para marcas do grupo chinês, em meio a tarifas e competição global.

29 de abril de 2026 por LIDE

 Hakan Samuelsson
Hakan Samuelsson, CEO da Volvo Cars. (Foto: Divulgação)

A Volvo Cars está disposta a permitir que a controladora Geely utilize suas fábricas na Europa para produzir veículos na região, afirmou o CEO Hakan Samuelsson. Segundo ele, montadoras chinesas que buscam crescer no mercado europeu precisam estabelecer produção local, e a companhia pode oferecer essa capacidade industrial.

De acordo com a Bloomberg, o movimento ocorre em um momento em que fabricantes chineses intensificam estratégias para contornar tarifas da União Europeia sobre veículos elétricos e ampliar presença no bloco. Nesse contexto, Samuelsson afirmou que, caso as marcas da Geely optem por fabricar na Europa, a Volvo “pode realmente apoiá-las com produção local”.

A iniciativa também reflete um esforço mais amplo de integração entre as empresas do grupo liderado por Li Shufu, diante do excesso de capacidade produtiva e da necessidade de maior eficiência operacional. Hoje, a Volvo já mantém sinergias industriais com outras marcas do conglomerado, como a Polestar e a Lynk & Co.

No cenário competitivo, outras montadoras chinesas seguem caminho semelhante. A Dongfeng Motor, por exemplo, negocia acesso a fábricas subutilizadas da Stellantis na Europa, buscando ampliar sua capacidade local.

Apesar da estratégia industrial, a Volvo reportou queda nos lucros no primeiro trimestre, pressionada pela redução nas vendas de veículos elétricos nos Estados Unidos após o fim de subsídios e pelo aumento da concorrência na China. A margem operacional ficou em 2,2%, ligeiramente abaixo do mesmo período do ano anterior, mas acima das estimativas do mercado.

A companhia aposta no lançamento do SUV elétrico EX60 para sustentar a recuperação. O modelo, apresentado em janeiro, teve forte demanda inicial na Europa, levando à ampliação da produção na fábrica de Torslanda, na Suécia. Para Samuelsson, fatores como a alta dos combustíveis podem acelerar a transição para veículos elétricos. “O segundo semestre será melhor”, afirmou o executivo.