“O Brasil precisa ter maturidade política”, diz Edinho Silva durante Almoço Empresarial LIDE
Presidente do PT afirma que polarização dificulta decisões de longo prazo e defende agenda estratégica para o uso das reservas de terras raras.
Edinho Silva, presidente do PT, durante o Almoço Empresarial LIDE, em São Paulo. (Foto: Evandro Macedo/LIDE)
A definição sobre o uso das terras raras foi apontada como um dos desafios estratégicos do Brasil em um cenário global de instabilidade política e econômica. Para o presidente nacional do PT, Edinho Silva, o país precisa superar a polarização para construir uma agenda de longo prazo voltada ao desenvolvimento. “Nós deveríamos ter maturidade política para construir uma agenda para o Brasil”, afirmou.
A declaração foi feita durante o Almoço Empresarial LIDE, no Hotel W, em São Paulo, nesta segunda-feira (9). Segundo Edinho, essa agenda deve enfrentar temas estruturais da economia brasileira. “Uma agenda que enfrentasse, por exemplo, o debate das nossas reservas de terras raras”, disse.
O dirigente questionou o modelo econômico associado a esses recursos estratégicos. “Vamos continuar sendo exportadores de metais raros ou vamos aproveitar que hoje, no conhecimento que se tem, somos a segunda reserva de metais raros do mundo?”, afirmou, ao defender que o país use suas reservas para orientar um projeto de desenvolvimento de longo prazo.
Ao ampliar o contexto, Edinho afirmou que esse debate ocorre em um ambiente político marcado pelo enfraquecimento das instituições democráticas. “Esse é o ambiente que vamos enfrentar nas eleições de 2026. Um ambiente de descrédito na democracia representativa”, disse.
Segundo ele, o Brasil vive os reflexos de um movimento global. “No Brasil, eu penso que estamos dentro das nossas condições políticas e econômicas vivenciando os reflexos dessas mudanças que estamos enfrentando no mundo”, afirmou. Para o dirigente, esse cenário é marcado por “um sentimento antissistema crescente”, “um descrédito na democracia representativa” e “uma cristalização de posições”.
Edinho também associou esse contexto ao aumento da polarização política. “Este sentimento de insatisfação alimenta um ambiente de polarização, que impede o diálogo civilizatório”, afirmou. Na sua avaliação, trata-se de um fenômeno observado em escala global. “É inegável que ela se enfraquece no mundo, é só olharmos a crescente abstenção que se dá em processos eleitorais no mundo. A realidade é o descrédito na democracia”, disse.