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Magazine Luiza vira o jogo e aposta em mais caixa após desalavancagem, diz CFO

Com R$ 8 bilhões em caixa e dívida em queda, varejista redefine estratégia e mira rentabilidade, com foco em operação financeira e ajuste no e-commerce.

18 de março de 2026 por LIDE

CFO Roberto Bellissimo
Roberto Bellissimo, CFO do Magazine Luiza. (Foto: Divulgação)

O Magazine Luiza encerrou 2025 com uma mudança relevante em sua estrutura financeira: passou a ter mais caixa do que dívida após dois anos de desalavancagem. Segundo o CFO Roberto Bellissimo, a companhia agora entra em um novo ciclo, com foco em rentabilidade e geração de caixa.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o executivo afirmou que a estratégia foi baseada na combinação de aumento de caixa e redução da dívida. Ao fim do período, a varejista registrou R$ 8 bilhões em caixa e dívida bruta de R$ 4,9 bilhões, resultando em um caixa líquido ajustado de R$ 3,1 bilhões.

Ajuste de caixa e dívida

Ao longo de 2025, a trajetória do caixa teve oscilações. Após atingir R$ 3,3 bilhões em dezembro de 2024, o valor caiu para R$ 1,6 bilhão em setembro, antes de se recuperar no fechamento do ano. Segundo Bellissimo, a queda ocorreu devido à amortização de R$ 1 bilhão em debêntures realizada em outubro, movimento considerado planejado pela companhia. No último trimestre, mesmo com o pagamento de R$ 900 milhões em dívida, o caixa voltou a crescer.

O cronograma de vencimentos está distribuído até 2030, com o objetivo de evitar concentração de pagamentos no curto prazo e reduzir o risco de refinanciamento. A estratégia não depende de novas captações nem da queda da taxa de juros.

Pressão financeira e meta histórica

Apesar da melhora na estrutura de capital, a despesa financeira segue como um desafio. O indicador subiu quase 47% no último trimestre, pressionado pela alta da taxa Selic entre 2024 e 2025. Atualmente, a despesa financeira representa 5,3% da receita líquida, mais que o dobro do nível considerado confortável pela companhia antes da pandemia. A meta é retornar ao patamar histórico, quando o percentual girava em torno de 2%.

E-commerce e reposicionamento

Analistas do Itaú BBA apontaram preocupação com o desempenho do e-commerce, cujo volume bruto de mercadorias caiu 5,3% no quarto trimestre, na contramão do crescimento do setor. Bellissimo afirmou que o movimento foi intencional. Segundo ele, a empresa reduziu a atuação em categorias com margem negativa, baixo ticket e alto custo logístico. A estratégia atual é reposicionar o marketplace como um ambiente de maior curadoria, com foco em produtos de marca e maior valor agregado.

Nova frente de crescimento

Outro eixo da estratégia está na ampliação da operação financeira. A companhia prevê migrar integralmente o crediário para o MagaluPay, sua financeira própria, ainda no primeiro trimestre. Segundo o CFO, a mudança deve trazer ganhos de rentabilidade, com menor carga tributária e custo de funding mais baixo. A aposta reflete a visão de que o desempenho futuro dependerá não apenas das vendas, mas também da capacidade de financiar o consumo de forma mais eficiente.