Iberia amplia rotas no Brasil e aposta em Madri como hub entre Europa e América Latina
Companhia projeta crescimento de capacidade e mira avanço no segmento corporativo.
Marco Sansavini, CEO da Iberia. (Foto: Divulgação)
A Iberia reforçou sua estratégia de crescimento no Brasil ao ampliar rotas e frequências, em movimento que integra um plano mais amplo de consolidar Madri como principal hub entre Europa e América Latina.
A companhia prevê ofertar mais de 680 mil assentos ao país em 2026, alta de 14% em relação ao ano anterior, com expansão de voos para destinos como Fortaleza e Recife. “O Brasil é absolutamente prioritário dentro dos nossos mercados mais relevantes”, afirmou Marina Vela, head de vendas corporativas da empresa, em entrevista ao InvestNews.
A estratégia vai além da ampliação de capacidade. O objetivo é posicionar Madri como ponto central de conexão para passageiros latino-americanos com destino à Europa. “Madri está se convertendo na ‘nova Miami’”, disse o CEO Marco Sansavini, ao resumir a tese da companhia.
O movimento é sustentado pelo crescimento da demanda premium. A receita por assento em cabines executivas na América Latina está 34% acima dos níveis de 2019, enquanto o segmento business avançou 7% no último ano.
O Brasil tem papel estratégico nesse modelo. Cerca de 70% das reservas corporativas na rota São Paulo-Madri têm origem na América, o que posiciona o país como ponto de conexão para viajantes de negócios da região.
O foco no público corporativo também orienta mudanças na oferta. A companhia redesenhou contratos para empresas, com maior flexibilidade, benefícios adicionais e integração com programas de fidelidade. “Mesmo viajando em econômica, o passageiro corporativo quer ter uma experiência premium”, afirmou Vela.
A IAG, holding que controla a Iberia, registrou lucro operacional recorde de €5 bilhões em 2025, com margem de 15,1%. A Iberia foi um dos destaques, com €1,3 bilhão de lucro operacional e margem de 16,2%.
A expansão ocorre em um contexto competitivo mais amplo. Ao optar por não participar da privatização da TAP, o grupo decidiu concentrar investimentos em Madri, ampliando presença em mercados estratégicos como o Brasil.
Com infraestrutura disponível no aeroporto de Barajas e planos de expansão, a companhia aposta na capacidade de crescimento do hub espanhol para sustentar a estratégia no Atlântico Sul, enquanto monitora riscos como a volatilidade no custo de combustível.