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Estudo

Créditos judiciais lideram ativos que devem ser mais negociados nos próximos meses

Estudo da EY-Parthenon revela que os chamados legal claims, baseados no direito de receber valores decorrentes de ações judiciais concluídas ou em andamento, estão na liderança entre os ativos problemáticos não vinculados a crédito bancário.

30 de abril de 2026 por AGÊNCIA EY

Jamiu AntunesJamiu Antunes, sócio-líder de Estratégia e Transações para Serviços Financeiros da EY-Parthenon. (Foto: Divulgação)

Conhecidos no mercado como legal claims, os créditos judiciais se destacam entre os ativos problemáticos não vinculados a crédito bancário que devem ser mais negociados nos próximos meses, revela o estudo “Panorama do Mercado de Ativos Problemáticos 2026”, produzido pela EY-Parthenon. Para 63% dos entrevistados, os créditos não performados devem ser os ativos problemáticos mais negociados nos próximos meses. Dentro desse grupo, os legal claims aparecem na liderança, com 29% das respostas.

Ativos problemáticos são aqueles com baixa liquidez, dificultando sua venda ou cessão rápida sem aplicação de deságio; gestão complexa, exigindo conhecimento técnico, jurídico, contábil e operacional para que sejam administrados; e dificuldade de conversão em caixa, o que significa morosidade para gerar retorno financeiro, que se mostra incerto e dependente de eventos futuros difíceis de prever.

“No caso dos legal claims, pode ser que não tenha havido o trânsito em julgado, ou seja, a decisão judicial definitiva. Nesse caso, é preciso considerar inclusive o risco de sucumbência, que é o de arcar com os honorários do advogado da parte contrária em caso de derrota”, explica Jamiu Antunes, sócio-líder de Estratégia e Transações para Serviços Financeiros da EY-Parthenon, que palestrou em evento da EY para apresentação do estudo a diversos executivos de mercado.

Ainda segundo Antunes, mesmo que existam esses riscos, incluindo os de dificuldade na etapa de execução judicial para receber o valor da condenação estipulado pela sentença ou acórdão, esse tipo de ativo está em alta no mercado, com gestores especializados apresentando teses de investimento posicionadas nos legal claims. “O que também chama a atenção no estudo são recebíveis, que vêm logo depois de legal claims na projeção dos entrevistados entre os ativos problemáticos de maior potencial não vinculados a crédito bancário”, completa o executivo. Com 24% das respostas, os recebíveis aparecem empatados com garantias em ativos imobiliários na segunda posição. Na sequência, vêm os ativos governamentais, como os precatórios, que estão ligados aos entes federativos, cuja definição sobre o momento de pagamento é muitas vezes incerta, dependendo de serem colocados no orçamento anual da União, dos Estados e dos Municípios.

O estudo da EY-Parthenon, realizado entre fevereiro e março deste ano, contou com a participação de especialistas atuantes em venda de créditos (cedentes), compra de créditos (cessionários), estruturação de operações (securitizadoras) e gestão de recursos de terceiros. O perfil dos respondentes indica a relevância das instituições financeiras e demais entidades participantes: 50% com carteiras sob gestão de até R$ 5 bilhões; 36% com carteiras entre R$ 5 bilhões e R$ 30 bilhões; e 12% operando com portfólios superiores a R$ 30 bilhões em ativos problemáticos.

Ascensão dos single names

A pesquisa também aponta que 37% dos entrevistados consideram que os créditos não performados, que representam aqueles ligados às instituições financeiras, são os ativos problemáticos que devem ser mais negociados nos próximos meses. Esses créditos recebem a denominação de “não performados” porque carecem de pagamento devido à inadimplência da pessoa física ou jurídica. Dentro dos créditos não performados, destaque para os de pessoa jurídica, com 37% das respostas, em relação ao potencial de venda para os próximos meses. Na sequência, vêm créditos massificados, com 33%; créditos single names, com 27%; e falimentares, com 4%.

“Com o crescimento da inadimplência entre as pessoas jurídicas, ligado não apenas à Selic alta há muito tempo como também a problemas de gestão nessas empresas, temos visto forte crescimento dos créditos single names, impulsionados pela busca do credor de não seguir com a gestão dessas carteiras, aumentando assim sua liquidez e melhorando a performance dos seus balanços, e pela busca por parte do investidor de maior rentabilidade, que é oferecida por esses ativos”, diz Antunes.

Os single names são ativos compostos por uma única operação ou conjunto de créditos vinculados a somente uma empresa ou conglomerado. “A venda de créditos inadimplentes por instituições financeiras para fundos especializados é uma tendência que vai se fortalecer, considerando o cenário ainda bem restritivo de taxas de juros”, finaliza.