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Com caixa robusto e sem dívida, Votorantim acelera estratégia de portfólio

Holding da família Ermírio de Moraes mantém resultado “dentro do esperado”, elimina dívidas e reforça liquidez após desempenho impulsionado por cimento e metais.

02 de abril de 2026 - Atualizado em 02 de abril de 2026 às 11h00 por LIDE

 

CEO João SchmidtJoão Schmidt, CEO da  Votorantim S.A. (Foto: Divulgação)

A Votorantim S.A. encerrou 2025 com lucro líquido de R$ 4,8 bilhões, o maior de sua história, e atingiu R$ 7,7 bilhões em caixa, sem dívida, consolidando sua maior posição de liquidez já registrada. As informações são do InvestNews.

A receita consolidada da holding da família Ermírio de Moraes cresceu 9% no período, somando R$ 47,6 bilhões, enquanto o Ebitda avançou 10%, para R$ 11,5 bilhões. O desempenho foi impulsionado principalmente pelos negócios de cimento e metais.

Segundo o CEO João Schmidt, o resultado está alinhado ao desenho do portfólio da companhia. “Eu não acho que o resultado está fora da curva. Nosso portfólio de empresas oferece isso mesmo. Ele está desenhado justamente para esses momentos”, afirmou ao InvestNews.

A posição de caixa tende a crescer em 2026, com a entrada prevista de R$ 4,7 bilhões referentes à venda da CBA para Chinalco e Rio Tinto, operação anunciada em janeiro e já aprovada pelo Cade.

Entre os destaques operacionais, a Votorantim Cimentos registrou receita de R$ 29,4 bilhões, alta de 11%, enquanto a Nexa, focada na mineração de zinco, atingiu Ebitda recorde, beneficiada pela valorização dos metais.

Considerando todas as empresas em que a Votorantim é acionista de referência, a receita agregada chegou a R$ 104 bilhões, com Ebitda de R$ 31 bilhões.

Outros negócios do portfólio também tiveram desempenho relevante. O banco BV registrou lucro recorde pelo segundo ano consecutivo, de R$ 1,9 bilhão. A Auren, após a incorporação da AES Brasil, tornou-se a terceira maior geradora de energia renovável do país, com Ebitda recorde de R$ 4 bilhões. Já a Motiva (antiga CCR) alcançou Ebitda de R$ 9,5 bilhões, o melhor resultado operacional da empresa.

O ano também foi marcado por movimentações estratégicas. A Votorantim ampliou sua participação na Hypera para 11%, passando a integrar a governança da farmacêutica e liderando um aumento de capital de R$ 1,5 bilhão. Na Citrosuco, o grupo trouxe o fundo canadense PSP Investments como sócio. Já na Motiva, venceu a concessão da Rodovia Fernão Dias e anunciou a venda da plataforma de aeroportos por R$ 11,5 bilhões.

As empresas do portfólio também avançaram na gestão de passivos. Auren e Nexa refinanciaram dívidas ao longo de 2025, reduzindo a concentração de vencimentos no curto prazo. Segundo a companhia, nenhuma empresa do grupo apresenta pressões relevantes de curto prazo, o que sustenta a continuidade dos investimentos.

A disciplina financeira foi reforçada com a manutenção do grau de investimento pelas agências Moody’s, S&P e Fitch, todas com perspectiva estável. A Votorantim segue como a única empresa brasileira não listada a deter classificação de investment grade pelas três principais agências globais.