Assaí fecha parceria com Mercado Livre para ampliar vendas online e buscar receita adicional
Operação começa em março com três CDs em São Paulo; acordo é visto como alternativa para crescer no digital sem elevar capex e reduzir alavancagem.
Belmiro Gomes, CEO do Assaí, afirma que a parceria resolve o principal entrave da companhia no comércio eletrônico. (Foto: Divulgação)
O Assaí (ASAI3) e o Mercado Livre (MELI34) firmaram parceria para viabilizar a entrada do atacarejo nas vendas online em escala nacional, com início previsto para o fim de março. A operação começa por três centros de distribuição em São Paulo e marca a estreia da rede em um modelo próprio de marketplace, segundo informações da Bloomberg.
O Assaí terá uma loja oficial dentro da plataforma do Mercado Livre, operando no modelo de fulfillment. Os produtos ficarão armazenados nos centros de distribuição da empresa de tecnologia, que será responsável por logística, armazenagem e entrega ao consumidor final.
A fase inicial contempla cerca de 400 itens não perecíveis, como mercearia, higiene, limpeza e perfumaria. Produtos frescos, como carnes e hortifrúti, seguem restritos às lojas físicas ou a parcerias de last mile, como iFood e Rappi.
O projeto começa focado no consumidor final, com possibilidade de expansão para o B2B. O plano prevê ainda entrada em Santa Catarina e Bahia até o fim do ano. Compras a partir de R$ 199 terão frete grátis.
Para o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, a parceria resolve o principal entrave da companhia no comércio eletrônico. “O Assaí tinha receio de entrar no e-commerce porque sempre foi algo mais complexo por causa de um fator que chama-se logística”, disse. “Deixar a parte da logística e do armazenamento com quem é mais especialista, na nossa visão, é um movimento muito assertivo tanto para o Mercado Livre quanto para o Assaí”.
Atualmente, o online representa cerca de 3% da receita das lojas onde o serviço está disponível, por meio de plataformas de delivery. A companhia não possui e-commerce próprio. Segundo Gomes, o acordo tem perfil “capex friendly”. “Essa mesmo é uma iniciativa que é ‘capex friendly’, digamos assim. Praticamente, não temos investimento de capex ao mesmo tempo em que devemos gerar uma venda adicional”, afirmou.
O executivo também disse que a estrutura permite manter competitividade de preços mesmo com o pagamento do take rate do marketplace, ao eliminar custos de uma operação digital própria.
O movimento ocorre em um momento de busca por novas fontes de receita e redução da alavancagem. O Assaí encerrou o quarto trimestre de 2025 com faturamento de R$ 20,80 bilhões, abaixo da estimativa de R$ 20,86 bilhões de analistas consultados pela Bloomberg, com alta de 3,3% na comparação anual. O lucro líquido foi de R$ 347 milhões, queda de 27% frente ao mesmo período de 2024. A dívida líquida ao fim de 2025 somava R$ 9,99 bilhões, com alavancagem de 2,56 vezes o EBITDA.
Para o Mercado Livre, a parceria reforça a estratégia de ampliar a recorrência na categoria de supermercados, que foi a que mais cresceu na plataforma no terceiro trimestre, com alta de 44% em relação ao ano anterior.
“O Assaí é uma operação enorme com um nível de escala e competitividade de preços e o Mercado Livre passa a ter acesso a essa escala e a condições comerciais de todo esse portfólio aqui”, disse Fernando Yunes, vice-presidente sênior de Commerce do Mercado Livre no Brasil. “Os produtos de alimentos, bebidas e limpeza têm uma recorrência praticamente diária. Então, nós trazemos para os nossos clientes também a possibilidade de compras mais recorrentes, que é algo estratégico”.
Segundo a empresa, 52% das vendas são entregues em até um dia e 80% em até dois dias. Assinantes do programa “Meli+” terão cashback no Mercado Pago em compras realizadas nas lojas físicas do Assaí.