Canetas emagrecedoras ampliam demanda por exames e impulsionam medicina diagnóstica
Protocolo médico para uso de semaglutida prevê bateria recorrente de exames; com maior acesso aos medicamentos, setor de diagnósticos pode ganhar nova fonte de receita.
O acompanhamento médico de pacientes que utilizam canetas emagrecedoras envolve, em média, 11 exames por ciclo. (Foto: Unsplash)
O uso de medicamentos à base de semaglutida, como as chamadas canetas emagrecedoras, tem ampliado a demanda por exames médicos e criado uma nova frente de receita para laboratórios e clínicas de medicina diagnóstica. Segundo a Bloomberg Línea, pacientes que iniciam o tratamento passam a seguir um protocolo que inclui uma série de exames periódicos para monitoramento da saúde.
Esse acompanhamento envolve, em média, ao menos 11 exames por ciclo, entre testes laboratoriais e ultrassonografia abdominal, repetidos ao longo do tratamento. A prática tem sido adotada por médicos diante do avanço de estudos que apontam possíveis riscos a órgãos como fígado, rins e tireoide.
Na rotina clínica, endocrinologistas solicitam avaliações de glicemia, colesterol, enzimas hepáticas e função renal, além de exames de imagem para observar órgãos impactados pela rápida perda de peso. A frequência mais comum é trimestral, o que transforma cada paciente em uma demanda recorrente para o setor de diagnósticos.
De acordo com a Bloomberg Línea, o custo desse monitoramento pode ultrapassar R$ 4.600 por ano em segmentos premium, considerando quatro ciclos anuais. Em opções mais acessíveis, os valores variam entre R$ 3.600 e R$ 4.600, enquanto modelos de menor custo podem reduzir esse total para cerca de R$ 2.550 ao ano, sem incluir consultas médicas e medicamentos.
A expectativa do mercado é de que essa demanda aumente com a ampliação do acesso aos medicamentos. A partir do vencimento da patente da semaglutida, novas versões devem chegar ao mercado, o que tende a reduzir preços e ampliar o número de usuários.
Com mais pacientes em tratamento, cresce também a necessidade de acompanhamento contínuo. Embora ainda não haja dados consolidados sobre o impacto direto nas receitas das empresas de diagnóstico, a tendência é de expansão da demanda no médio e longo prazo.
Projeções do Itaú BBA indicam que o mercado brasileiro de medicamentos do tipo GLP-1 pode ultrapassar R$ 50 bilhões até 2030, impulsionado principalmente pela queda de preços e maior disponibilidade. Esse cenário pode ampliar significativamente a base de pacientes em acompanhamento.
Estudos internacionais também apontam aumento dos custos médicos associados ao uso desses medicamentos. Nos Estados Unidos, gastos com saúde de usuários de GLP-1 sem diabetes cresceram de forma consistente ao longo dos anos, indicando que o impacto vai além do tratamento inicial.
Apesar do potencial de crescimento, a expansão do mercado no Brasil depende de fatores regulatórios. Medicamentos como a semaglutida não terão versões genéricas, apenas biossimilares, o que pode influenciar a dinâmica de preços e acesso.
Ainda assim, especialistas avaliam que a combinação entre maior oferta de medicamentos e protocolos médicos de acompanhamento contínuo tende a consolidar uma demanda estrutural por exames, reforçando o papel da medicina diagnóstica no tratamento da obesidade.