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Taxas de juros têm forte recuo na sessão com alívio global e atuação do Tesouro Nacional

16 de março de 2026 Arícia Martins, Estadão Conteúdo

Os juros futuros negociados na B3 devolveram parte do efeito do estresse observado na última semana, especialmente na sexta-feira, ao longo do pregão desta segunda-feira, 16. Em um dia já bastante positivo para ativos de risco devido à expectativa de que o bloqueio no Estreito de Ormuz pode ser levantado em breve, assim como percepção melhor sobre a duração do conflito no Oriente Médio, o Tesouro Nacional também teve atuação relevante para ajudar a derrubar as taxas.

Depois de leilão de compra e venda de títulos prefixados realizado na parte da manhã, o Tesouro anunciou para 15h30 outro certame extraordinário de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B). Com suporte também da queda dos retornos dos Treasuries e do dólar devido ao aumento do apetite a risco, as taxas intermediárias e longas chegaram a cair mais de 30 pontos-base na sessão.

Segundo agentes, a intervenção do Tesouro no mercado, com o cancelamento dos leilões regulares de prefixados e títulos atrelados à inflação desta semana, além de realização de leilões de compra e venda de NTN-F, LTN e NTN-B, ajudaram a acalmar os ânimos dos investidores.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 diminuiu de 14,291% no ajuste anterior para 14,07%. O DI para janeiro de 2029 registrou baixa a 13,535%, vindo de 13,878% no ajuste de sexta-feira. O DI para janeiro de 2031 recuou de 14,11% no ajuste a 13,725%.

Gestor de renda fixa da Connex Capital, Gean Lima avalia que a atuação do Tesouro ajudou a reduzir os prêmios dos DIs, mas não teria sido o principal vetor da melhora. "Foi algo bem-vindo, mas lá fora estamos vendo recuo de 4 a 5 pontos nos Treasuries e o dólar global caindo mais de 1% contra emergentes. Este ambiente positivo é global e a questão do Tesouro deu um alívio adicional", disse.

Nesta tarde, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, previu que o país terá acesso ao Estreito de Ormuz "muito em breve". Os mercados já abriram em tônica mais positiva nesta segunda após o presidente ter afirmado no domingo que 7 países devem colaborar para garantir a segurança do fluxo de navegação na passagem, que escoa 20% da produção global de petróleo.

Lima observa, ainda, que o governo do Irã declarou neste domingo que o estreito só está fechado efetivamente para os EUA e Israel. "Isso gera uma expectativa de que ocorra uma abertura ao menos parcial do estreito, pelo menos hoje [segunda-feira]", afirmou.

Já Luis Felipe Vital, estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren Investimentos, credita às intervenções do Tesouro a maior parte da queda exibida pelos juros futuros, depois de o mercado ter piorado além dos fundamentos na última sexta-feira devido a movimentos técnicos, com operações de stop loss que acentuaram ainda mais a elevação das taxas.

"O DI não melhoraria isso tudo por cenário global. É um movimento de ida e volta por fatores domésticos: piorou mais do que nossos pares na sexta-feira por isso e melhorou mais que os outros mercados hoje pelo fator local", apontou Vital.

Apesar do fechamento da curva de juros nesta sessão, o mercado segue revisando suas projeções para a Selic rumo a um cenário mais conservador, às vésperas da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira. Nesta segunda, Santander, SulAmérica Investimentos, ASA e Bank of America (BofA) reduziram suas previsões para o corte inicial da taxa de 0,5 ponto porcentual para 0,25 ponto porcentual. Esta também é a visão de Lima, da Connex, para quem o juro básico pode terminar o ano em patamar mais elevado do que o previsto anteriormente. "Estava achando que ia ser abaixo de 12% antes da guerra. Agora está mais para 13%".