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Ibovespa cai 0,69%, aos 176,5 mil pontos, com retomada do risco geopolítico

26 de maio de 2026 Luís Eduardo Leal, Estadão Conteúdo

Como tem prevalecido nos últimos três meses, em geral ao sabor das idas e vindas em torno de uma solução para o conflito EUA-Irã, o Ibovespa voltou a flutuar nesta terça-feira para o campo negativo, em baixa de 0,69%, aos 176.589,03 pontos. Na mínima, foi aos 175.516,11 pontos, saindo de máxima na abertura aos 177.815,95.

Na segunda-feira, havia fechado na máxima da sessão, tendo saído de mínima correspondente à abertura, impulsionado então por viés mais favorável quanto a um entendimento entre as partes, que ainda não veio.

O giro desta terça-feira ficou em R$ 22,6 bilhões, após ter se enfraquecido muito na segunda-feira com o feriado nos EUA. Na semana, o Ibovespa sobe 0,22%, vindo de ganho de 0,91% na sessão de segunda-feira. No mês, cai 5,73% e, no ano, sobe 9,60%.

Assim como a retração do setor metálico, a correção no setor financeiro também pesou sobre o Ibovespa, embora relativamente amenizada em nomes como Itaú (PN -0,64%), Bradesco (ON -0,38%, PN -1,27%) e Santander (Unit -1,16%) no fechamento.

Banco do Brasil (ON) cedeu 2,49%. Petrobras ON e PN fecharam em alta, pela ordem, de 0,41% e 0,09%, apesar da progressão do Brent, que avançou cerca de 3,5% em Londres. Principal papel do Ibovespa, Vale ON caiu 0,62%, moderando o ajuste na reta final, enquanto as perdas no segmento de metais chegaram a 3,59% em Usiminas PNA e a 2,36% em Gerdau PN, no fechamento.

Na ponta vencedora do Ibovespa, Minerva (+2,61%), Hapvida (+1,61%) e Rede DOr (+1,42%). No lado oposto, Braskem (-5,81%), C&A (-4,77%) e Vamos (-3,86%).

O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) desmentiu à tarde os relatos de que a Marinha norte-americana retomou a escolta ou a assistência a navios comerciais durante travessias pelo Estreito de Ormuz. "O Projeto Freedom não foi retomado, e as forças dos EUA não estão atualmente escoltando navios comerciais pelo Estreito de Ormuz", de acordo com registro na conta oficial do Centcom no X.

Para Bruna Centeno, economista e advisor na Blue3 Investimentos, há fatores de cautela para os investidores que têm resultado nesta alternância de ganhos e perdas para o Ibovespa em intervalo curto, não apenas relacionados ao quadro geopolítico ainda incerto, com efeito direto para as cotações do petróleo, como também à recente troca de comando no Federal Reserve, com a posse na última sexta-feira de Kevin Warsh na presidência do BC norte-americano. O movimento ocorre em momento de juros futuros ainda pressionados pelas dúvidas em torno da extensão da alta da commodity e de seu correspondente efeito sobre a inflação global.

Nesse contexto marcado por dúvidas, o dólar voltou a subir nesta terça, ainda que levemente (+0,17%), a R$ 5,0274. Em Nova York, o Dow Jones cedeu 0,23%, mas o S&P 500 e o Nasdaq avançaram, respectivamente, 0,61% e 1,19%.

"Ontem, os mercados internacionais estavam bastante animados, inclusive o nosso, embalados por uma percepção de avanço nas negociações e por sinais preliminares de possível acomodação no conflito. Só que esse otimismo perdeu força rapidamente", resume Leonardo Santana, especialista em investimentos e sócio da casa de análise Top Gain. "Na virada para hoje, o mercado voltou a adotar uma postura mais defensiva depois da retomada das ofensivas e da escalada no tom entre Estados Unidos e Irã, o que coloca em xeque a perspectiva de acordo no curto prazo."

Ele acrescenta que a retomada da alta do Brent na sessão "reacende" o temor de uma "pressão inflacionária global e manutenção de juros elevados por mais tempo".