Filie-se

FUP: incidente na Reduc reforça urgência de investimento em segurança operacional

30 de março de 2026 Denise Luna, Estadão Conteúdo

A Federação Única dos Petroleiros (FUP) informou que na última quarta-feira, 25, um incidente ocorrido na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, provocou a parada da unidade, retomada no mesmo dia, segundo a Petrobras.

De acordo com a FUP, o episódio teve início com vazamento em linha de hidrogênio, seguido de incêndio, falhas em sistemas de segurança e parada total de unidades, gerando danos a equipamentos e risco elevado para trabalhadores e o entorno. Ninguém ficou ferido.

"Relatos preliminares apontam falhas em sistemas essenciais para situações de emergência, como válvulas de segurança e comunicação por rádio, além da necessidade de mobilização de efetivo muito acima do previsto, incluindo trabalhadores em treinamento. Também houve registro de explosão em equipamento, com projeção de estilhaços e emissão de fumaça, configurando um cenário de alto potencial para acidente industrial de grande magnitude", relatou a entidade sindical.

Já a Petrobras minimizou o incidente, explicando que a Reduc realizou na última quarta-feira "uma parada segura de unidades de processo em função de uma falha no fornecimento de água de refrigeração".

Segundo a estatal, a ocorrência foi prontamente controlada, sem qualquer impacto às pessoas ou ao meio ambiente e a produção foi retomada no mesmo dia.

Investimentos

Para a FUP, o caso evidencia a urgência de ampliar investimentos em segurança operacional, manutenção e modernização das unidades. A federação ressaltou que políticas de desinvestimento, redução de efetivo e cortes em áreas críticas, adotadas em governos anteriores, fragilizaram as condições operacionais, ajudando a explicar a recorrência de incidentes desse tipo.

A entidade destaca que a gravidade do episódio só não resultou em consequências mais severas devido à atuação direta dos trabalhadores que, mesmo diante de falhas sistêmicas e condições adversas, conseguiram conter a emergência. "A FUP, junto ao Sindipetro Caxias, cobram apuração rigorosa do ocorrido e a adoção imediata de medidas, como recomposição do efetivo, revisão do modelo de dimensionamento de equipes e ampliação consistente dos investimentos em segurança e integridade das instalações", afirmou.

A federação reforçou ainda, que a segurança não pode ser tratada como variável de ajuste e que é fundamental consolidar uma política permanente de investimentos e valorização das condições de trabalho, garantindo a proteção dos trabalhadores, das operações e do meio ambiente.