CEOs buscam parcerias para impulsionar crescimento no curto prazo
Estudo da EY revela que, na amostra brasileira, 82% dos executivos entrevistados planejam joint ventures ou alianças estratégicas nos próximos 12 meses.
Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. (Foto: Divulgação)
Os CEOs que atuam no Brasil demonstram preferência por parcerias estratégicas em detrimento de fusões e aquisições para impulsionar o crescimento de suas empresas no curto prazo, revela a última edição do CEO Outlook, estudo produzido pela EY-Parthenon. Nos próximos 12 meses, 82% planejam joint ventures ou alianças estratégicas, enquanto 40% consideram M&A e apenas 8% apontam desinvestimentos ou IPOs.
“Os CEOs estão atentos à necessidade de construir parcerias estratégicas para impulsionar o crescimento no curto prazo. As joint ventures e alianças têm se mostrado mais atraentes do que fusões e aquisições, já que permitem ampliar engajamento, otimizar operações e fortalecer a retenção de talentos e clientes”, diz Leandro Berbert, sócio de estratégia e transações da EY-Parthenon. “Ao mesmo tempo, os desinvestimentos seguem como alternativa para reduzir custos e aumentar eficiência, refletindo a busca por equilíbrio entre expansão e racionalização dos negócios”, completa.
Ao avaliar uma possível aquisição ou alienação, as empresas têm objetivos distintos. Isso porque as aquisições são direcionadas para o aumento do engajamento e os desinvestimentos para a economia de custos. Entre os resultados mais valorizados pelos CEOs entrevistados, destaque para a melhoria do engajamento e da retenção dos funcionários, apontada por 55% dos respondentes nos casos de aquisição e por 50% nos de desinvestimentos. Em seguida, aparece o resultado “otimização das operações e aumento da produtividade”, com 40% das respostas ligadas a aquisições e 50% a desinvestimentos. O resultado “redução de custos e geração de economia” tem maior peso nos desinvestimentos com 75% contra 40% em aquisições.
Foram entrevistados 1,2 mil CEOs de grandes empresas em todo o mundo entre novembro e dezembro de 2025. Os executivos representam 21 países (Brasil, Canadá, México, Estados Unidos, Bélgica, Luxemburgo, Holanda, França, Alemanha, Itália, Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia, Reino Unido, Austrália, China, Índia, Japão, Singapura e Coreia do Sul) e cinco segmentos (bens de consumo e saúde, serviços financeiros, indústria e energia, infraestrutura, tecnologia, mídia e telecomunicações). As receitas globais anuais das empresas pesquisadas são as seguintes: menos de US$ 500 milhões (20%); US$ 500 milhões a US$ 999,9 milhões (20%); US$ 1 bilhão a US$ 4,9 bilhões (30%); e superiores a US$ 5 bilhões (30%).
Percepção dos CEOs
A instabilidade global resultante do aumento dos riscos geopolíticos tem alterado a percepção dos CEOs que atuam no Brasil em relação ao desempenho das suas empresas, ainda segundo o CEO Outlook. Ao comparar a edição mais recente do estudo com a anterior, houve uma migração no índice de confiança desses executivos de “muito otimista” para “neutra”. Como consequência disso, quatro em cada dez CEOs interromperam ou adiaram investimentos nos últimos 12 meses. Essa porcentagem é resultado da soma de 8% dos que relataram a interrupção dos investimentos planejados com 32% que optaram por adiá-los.
Além disso, 18% decidiram sair de determinados mercados geográficos, enquanto 20% entraram em novos territórios. O impacto da geopolítica se refletiu na estrutura operacional, com 30% dos ativos realocados para outros mercados e 20% das companhias mudando o fornecimento para regiões diferentes, o que evidencia uma adaptação às pressões externas.