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Nova gestão

João Doria Neto aposta em inovação para ampliar a presença global do LIDE

CEO Global do LIDE lidera a expansão da organização e defende a busca pelo protagonismo do Brasil na nova economia global que se molda, posicionando o país como uma nação estratégica e relevante no cenário internacional.

30 de julho de 2026 por LIDE

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A consolidação do LIDE em um de seus momentos mais estratégicos confunde-se com a própria liderança de João Doria Neto. Quando o grupo iniciava um ciclo decisivo de mudança de governança, motivado pela ida do fundador para a vida pública, coube ao executivo assumir o protagonismo na condução da entidade. O desafio era claro: garantir a continuidade do crescimento de uma das principais organizações empresariais da América Latina sem abrir mão de seus valores — o diálogo, a livre iniciativa e o desenvolvimento sócio-econômico do Brasil.

Formado em Administração de Empresas pela FAAP, em São Paulo, e pós-graduação em Estratégia e Inovação pela MIT Sloan School of Management, João Doria Neto - ou simplesmente Johnny, como ele mesmo gosta de ser chamado - lidera um profundo processo de modernização e renovação geracional. Sob o seu comando, o LIDE não apenas preservou o legado construído ao longo das últimas duas décadas, mas acelerou de maneira inédita sua presença nacional e, principalmente, internacional.

Consolidação

Hoje, CEO da operação global do grupo, Johnny comanda uma estrutura robusta presente em diversas regiões do Brasil e em importantes centros econômicos internacionais, fortalecendo a interlocução entre empresários, organizações, países e investidores. Mais do que administrar uma organização de grande porte, sua missão tem sido preparar o LIDE para uma nova economia, na qual a inteligência artificial redesenha as organizações como as conhecemos, e ampliar o papel da organização como ponte entre empresas brasileiras e a reorganização da economia mundial.

“Estar à frente do LIDE significa dar continuidade a uma história de 25 anos que consolidou o grupo como a maior organização empresarial da América Latina, mantendo aquilo que sempre esteve no centro da sua relevância: o debate qualificado, o encontro de ideias e oportunidades, e a conexão entre lideranças, visando o desenvolvimento do país”, afirma.

Para o executivo, a renovação geracional não significa romper com o passado, mas ampliar horizontes. “O desafio não é mudar o propósito da organização, mas expandir seu alcance e garantir que ela continue relevante diante das transformações do Brasil e do mundo. Tradição e inovação não competem entre si. Quando bem combinadas são complementares.”

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No centro do debate global

Nos últimos anos, uma das prioridades da gestão foi reforçar a atuação internacional do LIDE. Em meio às turbulências políticas e econômicas que marcaram diferentes períodos recentes, a organização intensificou missões empresariais e fóruns globais para fortalecer a imagem do país perante investidores e lideranças internacionais.

A avaliação de Doria Neto é que o setor produtivo teve papel decisivo para preservar a credibilidade da economia brasileira. “Ficou evidente para o LIDE que precisaríamos atuar para reverter este quadro, mostrar ao mundo que o setor produtivo brasileiro é sério e comprometido. Entendemos que era importante demonstrar isso levando lideranças e empresas de todos os segmentos para mostrar o verdadeiro papel do Brasil e de seus negócios no panorama global.”

A estratégia ajudou a consolidar o grupo como uma importante ponte entre o empresariado brasileiro e os principais centros de decisão econômica do mundo, fortalecendo agendas voltadas a investimentos, inovação, comércio exterior e sustentabilidade.

Uma revolução por minuto

Entre os temas que mais mobilizam o CEO está o impacto da inteligência artificial nas organizações. Para ele, a empresa que conhecemos desde a Revolução Industrial e as características que a definem — camadas de gestão, organograma como sistema operacional e conhecimento em silos — foram moldadas por antigas limitações que a inteligência artificial começa a dissolver. “A transformação profunda é outra: a inteligência artificial está mudando a forma como as empresas pensam, decidem e aprendem. Empresas estabelecidas carregam um formato antigo como legado e precisarão fazer uma transição deliberada para se manterem competitivas.”

Na avaliação do executivo, todo trabalho intelectual passará a ser apoiado por modelos de IA e por uma camada de inteligência construída sobre a base viva de conhecimento da empresa, seus produtos e seus clientes - decisões, padrões, interações e dados. O resultado não é apenas uma versão mais eficiente da empresa, mas um tipo diferente de organização, erguida sobre novos fundamentos. Nesse novo contexto, o valor da gestão está na visão estratégica, na capacidade de adaptação e na definição de rumos.

“Por isso costumo dizer que o tema não é tecnologia, é gestão. A pergunta que todo líder deveria se fazer não é ‘que ferramenta devo adotar?’, e sim ‘como a minha empresa pode gerar conhecimento agregado para apoiar ações de decisões daqui para frente?’”

Essa visão tem pautado debates promovidos pelo LIDE, que passou a incorporar temas ligados à transformação digital, inovação, governança de dados e inteligência artificial em diversos fóruns e encontros empresariais.

Líder do futuro

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Para Doria Neto, a revolução tecnológica exige uma nova postura das lideranças empresariais. Mais do que compreender ferramentas, os executivos precisam assumir o papel de agentes da mudança. “A transformação não é um projeto de tecnologia, é um projeto de liderança estratégica.”

Ele acredita que as empresas mais bem-sucedidas serão aquelas capazes de combinar tecnologia, contexto, experiência acumulada e visão de futuro. “O risco maior mudou de lado: o perigo não está em tentar, está em não tentar.” Na prática, isso significa criar ambientes onde a inovação possa surgir em qualquer nível da organização.

“Quando se dá ferramenta, formação e permissão para as pessoas criarem, profissionais de todas as áreas encontram soluções que ninguém teria imaginado.”

Oportunidade histórica

Ao observar as transformações globais, Doria Neto acredita que o Brasil vive uma oportunidade rara de assumir protagonismo internacional. “Estamos entrando em uma nova ordem da economia global. É a maior reconfiguração das cadeias globais em décadas, e é exatamente nessa reconfiguração que surge uma oportunidade rara para o Brasil.”

Ele destaca fatores como a matriz energética limpa, a produção de alimentos e a disponibilidade de minerais estratégicos, processados e atrelados a uma cadeia de valor interna, como diferenciais competitivos únicos. “O Brasil tem condições reais de deixar a periferia da economia global e se tornar uma economia relevante e uma nação essencial de estabilidade, suprimento e sustentação da nova economia global.”

Mas ressalta que potencial, sozinho, não basta. “A questão não é se o Brasil tem potencial. Essa discussão já deveria estar superada. A questão é se teremos visão, coordenação e ambição para transformar potencial em estratégia nacional”, conclui o CEO.

Uma equipe preparada

A expansão do grupo nos últimos anos também está diretamente ligada à atuação de uma equipe responsável por fortalecer a governança, ampliar a presença institucional e integrar as diferentes unidades da organização.

Na área de Unidades, Valentina Doria coordena a conexão entre a matriz e as representações nacionais e internacionais, acompanhando o desenvolvimento das operações e garantindo alinhamento estratégico em toda a rede.

Fabio Fernandes lidera a área de Expansão, identificando oportunidades para novas unidades e ampliando a presença institucional do grupo em mercados estratégicos. Já à frente da área de Negócios, Bruno Barbaroto atua na estruturação operacional da organização, fortalecendo processos, governança e sustentabilidade financeira.

Vinicius Bessa, Head de Integração, é responsável por aproximar as unidades do sistema LIDE, promovendo o compartilhamento de experiências, conteúdos e boas práticas. O relacionamento com os filiados é conduzido por Patrícia Pozzani, enquanto Amanda Nogueira coordena o planejamento estratégico e operacional das iniciativas do grupo.

Juntos, esses profissionais sustentam uma estrutura que permite ao LIDE ampliar sua atuação e manter sua relevância em um ambiente empresarial cada vez mais dinâmico e competitivo.

Ponto de Vista

João Doria Neto, CEO do LIDE

Como você projeta o LIDE para os próximos dez anos? O que ainda falta construir?

A missão que orienta o LIDE é clara: ser uma plataforma global de transformação e desenvolvimento, por meio da conexão entre empresas, pessoas, lideranças, países, debates e ideias. Acreditamos que é do encontro qualificado que nascem as grandes mudanças e oportunidades: quando quem decide se conecta a quem inova, quando setores dialogam entre si, quando ideias circulam entre mercados e fronteiras. Foi essa vocação que construiu os primeiros 25 anos do grupo, e é ela que vai orientar os próximos dez.

A produção de conhecimento tende a ganhar ainda mais espaço, especialmente diante da velocidade das transformações tecnológicas, geopolíticas e econômicas. Em um mundo onde informação é abundante e critério é escasso, o valor de um ambiente qualificado de interpretação e diálogo só aumenta. Curadoria, confiança e acesso a quem decide tornam-se ativos ainda mais raros. E essa sempre foi a essência do LIDE.

É dessa conexão que nasce transformação concreta: o diálogo de alto nível que forma opinião, os comitês que desenvolvem agendas estratégicas para 40 setores da economia e mais de 32 países, os encontros que aproximam lideranças e convertem relacionamento em negócios, parcerias, investimentos e desenvolvimento. O LIDE não é um espaço passivo de encontro; é um articulador ativo de oportunidades e de mudanças.

E há uma frente em que o LIDE também tem um papel singular a cumprir: apoiar a globalização das empresas brasileiras. Se o país tem diante de si a oportunidade de se tornar um eixo da nova ordem econômica, precisamos construir as pontes, facilitando o acesso de investidores e empresas estrangeiras ao Brasil e apoiando a expansão de empresas brasileiras no exterior. Com a nossa rede internacional, a nossa institucionalidade e a respeitabilidade construída ao longo de 25 anos, o LIDE será exatamente essa plataforma.

O Brasil costuma ser reconhecido pelo potencial, mas criticado pela dificuldade de execução. Qual é o principal gargalo que impede o país de capturar essa janela?

O Brasil possui vantagens competitivas muito relevantes: mercado consumidor, capacidade produtiva, recursos naturais e um setor empresarial extremamente resiliente. O grande desafio está em transformar esse potencial em crescimento consistente e previsível.

Um dos principais gargalos é a dificuldade histórica de construir um ambiente de negócios mais simples, eficiente e estável, o que passa por questões regulatórias e segurança jurídica. Investimento de longo prazo, sobretudo em infraestrutura, energia e mineração, exige previsibilidade. Capital busca retorno, mas antes disso busca segurança e confiança.

O Estado brasileiro tem um papel decisivo para isso. Países que ganharam protagonismo global nas últimas décadas foram justamente os que combinaram um ambiente favorável à iniciativa privada com investimento público consistente nessas bases.

O Brasil tem todas as condições para avançar, mas isso exige visão de longo prazo, comprometimento, seriedade na gestão pública e maior integração entre setor público, iniciativa privada, academia e sociedade civil.

Tema capacitação. Por que considera esse o investimento mais urgente, para o país e para as empresas?

Porque é o único investimento que destrava todos os outros. Estamos vivendo a maior transformação do trabalho desde a revolução industrial, e ela tem uma característica inédita: a velocidade. Competências que eram diferenciais há três anos tornaram-se básicas; funções inteiras estão sendo redesenhadas. Nesse cenário, a distância entre quem se prepara e quem não se prepara, entre empresas que capacitam e empresas que não capacitam, vai se ampliar rapidamente.

Vejo três frentes inseparáveis. A primeira é a capacitação de jovens: o Brasil tem uma das maiores populações jovens do mundo, e isso pode ser o nosso maior ativo ou o nosso maior passivo, a depender do que fizermos agora em educação básica e técnica. A segunda é a requalificação da força de trabalho: a experiência de milhões de profissionais, combinada com as novas ferramentas, é extraordinariamente valiosa. E a terceira é a formação de lideranças capazes de conduzir essa transição com critério e visão.

E há algo profundamente democrático neste momento. A tecnologia tornou a educação de qualidade mais acessível e mais barata do que em qualquer outro período da história. Hoje, um jovem com um celular e a orientação certa pode aprender com as melhores ferramentas do mundo, independentemente de origem ou condição social. A inclusão mais transformadora que podemos promover é dar a todos a capacidade real de participar da nova economia. O que falta não é tecnologia; é investimento público e visão para transformar a educação na escala que o país exige.