Filie-se
Varejo

Decifrando o Social Commerce e o Live Shopping no Brasil

Estratégias para o Crescimento no Varejo Digital.

27 de janeiro de 2026 por Admar Corrêa, Diretor Executivo e líder do setor de varejo e bens de consumo da Peers Consulting + Technology

O Live Shopping (ou Live Commerce) é uma estratégia de marketing baseada em livestreaming, onde um apresentador demonstra produtos e os espectadores podem adquiri-los em tempo real. Esta modalidade possui três elementos centrais: formato de vídeo, ocorrência em tempo real e direcionamento para produtos compráveis através de links ou tags.

As redes sociais com recursos de compra combinam engajamento e integração direta com o consumo: o Instagram destaca-se pela descoberta visual, o Facebook por eventos ao vivo, o TikTok por conteúdo viral e compras no aplicativo, e o YouTube por vídeos e tutoriais com tags de produtos. Já nas plataformas de live shopping, o Channelize.io e o Bambuser oferecem soluções completas e integradas, enquanto a CommentSold automatiza vendas em múltiplas plataformas e o ShopShops conecta marcas a audiências globais em tempo real.

Admar Correa 1Admar Corrêa, Diretor Executivo e líder do setor de varejo e bens de consumo da Peers Consulting + Technology. (Foto: Divulgação)

O mercado global de social commerce demonstra um crescimento explosivo. Estimado em US$ 1,16 trilhão em 2024, projeta-se que atinja US$ 17,83 trilhões até 2033, com um CAGR de 36,4% de 2025 a 2033. Nos Estados Unidos, as vendas de social commerce devem ultrapassar a marca de US$ 100 bilhões em 2025, representando 22,4% de crescimento em relação ao ano anterior.

Nesse contexto de expansão, a influência de celebridades e influenciadores digitais torna-se um fator determinante no comportamento de consumo, como mostra o aumento do percentual de pessoas que realizam compras por recomendação desses agentes. Paralelamente, o mercado global de live commerce segue em forte ascensão, estimado em US$ 128,42 bilhões em 2024 e projetado para atingir US$ 2,469 trilhões até 2033, com uma taxa média de crescimento anual (CAGR) de 39,9% entre 2025 e 2033. A liderança desse movimento está concentrada na região Ásia-Pacífico, especialmente na China, responsável por cerca de US$ 350 bilhões em receitas já em 2024, o que evidencia uma disparidade regional significativa no gasto anual médio entre os mercados globais.

Entre 2019 e 2022, a influência de criadores nas decisões de compra cresceu em todos os países analisados. No Brasil, o percentual de pessoas que compraram por recomendação de influenciadores subiu de 35% para 45%; na Índia, de 28% para 33%; e na China, de 34% para 40%. Houve também aumento na Itália (de 18% para 22%), Estados Unidos (de 13% para 19%), Reino Unido (de 12% para 18%), Dinamarca (de 7% para 9%) e Japão (de 3% para 9%), evidenciando o fortalecimento global do marketing de influência.

O Brasil, com uma robusta penetração digital e cultura social vibrante, apresenta um terreno fértil para a expansão do social commerce e live shopping. No entanto, o sucesso nesse mercado exige uma compreensão aprofundada das particularidades do consumidor local e dos desafios operacionais.

O Brasil é um hub de e-commerce na América Latina, respondendo por 55% das vendas regionais e com 90% de penetração entre a população adulta. O volume do e-commerce foi de US$ 346 bilhões em 2024 e a projeção é alcançar US$ 586 bilhões até 2027.

O social commerce deve saltar de US$ 2,2 bilhões em 2022 para US$ 15,9 bilhões até 2028, e o live streaming deve atingir US$ 8,4 bilhões até 2030.

A predominância do comércio móvel é crucial, com 72% do volume de e-commerce em 2024 vindo de dispositivos móveis, posicionando o Brasil entre os quatro principais países globalmente. O consumidor brasileiro prefere personalização, conexão autêntica e bons negócios, e 73% já foram influenciados por personalidades digitais.

O avanço do social commerce e do live shopping é impulsionado por tecnologias emergentes que tornam o varejo mais personalizado, ágil e interativo. A Inteligência Artificial otimiza desde a recomendação de produtos e atendimento via chatbots até a escolha de influenciadores e criação de conteúdo, além de permitir análises preditivas para decisões estratégicas. Já a Realidade Aumentada (RA) e a Realidade Virtual (RV) aproximam o digital do físico, oferecendo experiências imersivas como provadores virtuais e visualização de produtos em 3D. Juntas, essas tecnologias estão redefinindo o consumo online e exigem que as empresas se adaptem rapidamente a um varejo cada vez mais interativo, imersivo e centrado no consumidor.