Henrique Florido: 'Feminicídio não é súbito, é padrão — e pode ser prevenido com dados'
Tecnologia, integração de dados e atuação coordenada entre Estado, empresas e sociedade foram apontadas como caminhos para reduzir a criminalidade e enfrentar a violência contra a mulher no Brasil.
Henrique Florido, diretor de Inovação da Indra Group. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
A prevenção da violência e a redução da criminalidade passam, necessariamente, pela capacidade de antecipar riscos, não apenas a reação àqueles que já foram consumados. Esse foi o tom dominante das discussões no Seminário LIDE Segurança Pública, realizado na manhã desta terça-feira (28), na Casa LIDE, em São Paulo, reunindo especialistas do setor público e privado para debater o uso da tecnologia no enfrentamento da violência, especialmente contra mulheres. O evento teve curadoria de Roberto Monteiro, head do LIDE Segurança.
Diretor de Inovação da Indra Group no Brasil, Henrique Florido chamou atenção para a necessidade de mudar a forma como o feminicídio é compreendido.
"O feminicídio nunca ocorre de maneira acidental. Ele passa por uma trajetória”, afirmou. Segundo ele, a análise de dados permite identificar padrões recorrentes de escalada da violência — como perseguições e agressões prévias — e, a partir disso, agir preventivamente. “Não trato isso como algo súbito, mas como um padrão que pode ser detectado”, disse .
Florido destacou ainda que a tecnologia já oferece ferramentas capazes de antecipar riscos, mas que o principal gargalo está na integração entre sistemas e instituições. “Não é uma corrida pela tecnologia. Ela já resolve grande parte dos problemas. O que falta é orquestração”, afirmou Henrique Florido, diretor de Estratégia e Inovação da Indra Group no Brasil . Para ele, dados hoje dispersos entre polícia, saúde e justiça poderiam ser utilizados de forma coordenada para evitar crimes, desde que respeitados critérios de segurança e privacidade.
A importância da resposta em tempo real também foi enfatizada pelo coronel da Polícia Militar e especialista em tecnologia e inteligência artificial, Alfredo Deak Jr. “É muito mais importante a estatística dos últimos 30 minutos do atendimento do 190 do que o crime que já aconteceu”, afirmou. Para o coronel, tecnologias de correlação de dados e geração de alertas já permitem acionar viaturas quase instantaneamente, aumentando a efetividade da ação policial.
Sob a perspectiva do Ministério Público, a promotora de Justiça da Casa da Mulher Brasileira, Juliana Gentil, alertou que, apesar dos avanços legais, o Brasil ainda enfrenta níveis elevados de violência contra a mulher.
“Precisamos entender em que ponto estamos falhando e perdendo essas mulheres”. Ela destacou que menos de 20% das vítimas de feminicídio tinham medidas protetivas, o que evidencia limitações das políticas atuais quando aplicadas de forma isolada. “A medida protetiva, sozinha, não funciona tão bem. Precisamos da tecnologia para evitar o feminicídio”, afirmou.
Juliana Gentil, promotora de Justiça da Casa da Mulher Brasileira. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
Gentil defendeu a integração entre diferentes áreas, como saúde, assistência social, justiça e segurança pública, como condição essencial para uma resposta mais eficaz. “O enfrentamento exige atuação multidisciplinar e interinstitucional”, completou.
A participação do setor privado também foi apontada como estratégica. O diretor de operações da 99, Leandro Abecassis, destacou soluções já em uso na plataforma. “Queremos integrar mais com o poder público. A tecnologia está aqui, as informações também. Precisamos fazer isso chegar a mais pessoas”, pontuou o executivo sobre a possibilidade de integrar a tecnologia da 99 a outras já utilizadas pelo poder público, como o Smart Sampa e a Muralha Paulista.
Leandro Abecassis, diretor de operações da 99. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
Encerrando o debate, o diretor-geral da Ituran Brasil, Amit Louzon, reforçou que o combate à criminalidade exige não apenas ferramentas tecnológicas, mas decisão e coordenação. “A tecnologia existe, a informação existe. O desafio é usar isso de forma integrada para quebrar o ciclo do crime”, finalizou.
Tecnologia, integração de dados e atuação coordenada entre Estado, empresas e sociedade foram apontadas como caminhos para reduzir a violência contra a mulher. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
O Seminário LIDE Segurança Pública tem patrocínio da 99, BYD, Indra Group, Ituran, Tait Communications e Alpha Secure. O apoio é da L8 Group e da Motorola Solutions. Jovem Pan, lide.com.br, Revista LIDE e TV LIDE são as mídia partners. Os fornecedores oficiais são Três Corações, Bauducco, Natural One, Águas da Prata e Tait Communications. Os operadores de tecnologia são Netglobe, RCE Digital, TCL Semp e The LED.