Brasil tem oportunidade histórica para liderar revolução da inteligência artificial, dizem executivos
Seminário LIDE Inovação e Tecnologia reuniu lideranças políticas e empresariais para debater data centers, soberania digital, energia e qualificação profissional como pilares do desenvolvimento tecnológico.
Cléber Morais, diretor-geral da Amazon Web Services (AWS) no Brasil. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
A transformação digital, a expansão dos data centers e o avanço da inteligência artificial colocam o Brasil diante de uma oportunidade estratégica para impulsionar o crescimento econômico, ampliar a produtividade e consolidar sua soberania digital. Essa foi a principal mensagem defendida por autoridades, executivos e especialistas durante o Seminário LIDE Inovação e Tecnologia, realizado na manhã desta sexta-feira (29), na Casa LIDE, em São Paulo.
Representando a Universidade Brasil, o presidente Fernando Costa destacou o papel da educação e da pesquisa na construção da competitividade nacional. Ao anunciar novos projetos voltados à inovação e ao desenvolvimento tecnológico, defendeu uma visão de longo prazo para o país. “Nós só seremos libertados se investirmos em pesquisa e em novas tecnologias. Temos que acreditar no Brasil e investir em inovação tecnológica”, declarou.
O ex-prefeito de Jundiaí e ex-deputado federal Luiz Fernando Machado chamou atenção para a necessidade de fortalecer a infraestrutura digital brasileira para atrair investimentos em inteligência artificial e armazenamento de dados. Segundo ele, o país possui vantagens competitivas relevantes, especialmente na produção de energia limpa, mas precisa avançar em segurança jurídica, planejamento e ambiente regulatório. “O Brasil tem capacidade de ser líder global na consolidação de investimentos em data centers, mas precisa garantir estabilidade para quem investe”, afirmou.
O diretor-geral da Amazon Web Services (AWS) no Brasil, Cléber Morais, apresentou números que demonstram a relevância econômica do setor e destacou o potencial do país para receber uma nova onda de investimentos globais. Segundo ele, a infraestrutura digital tornou-se tão essencial para a economia quanto estradas e portos foram no passado.
“O único diferencial competitivo que existe hoje é a velocidade. O Brasil precisa se habilitar para receber esses investimentos com previsibilidade, capacitação de pessoas e um projeto de Estado”, disse. Morais também destacou que a AWS já treinou mais de um milhão de brasileiros em computação em nuvem e assumiu o compromisso de capacitar mais um milhão em inteligência artificial.
A presidente da Systemiq no Brasil, Patrícia Ellen, reforçou que o país reúne condições únicas para se tornar um polo global de data centers e inteligência artificial, graças à matriz energética limpa e ao potencial de geração de empregos. Segundo ela, a IA pode transformar profundamente o mercado de trabalho, mas o saldo tende a ser positivo para o Brasil. “Podemos gerar mais oportunidades do que aquelas que serão automatizadas. O desafio é agir agora para que esses investimentos aconteçam e se transformem em desenvolvimento econômico”, afirmou.
Patrícia Ellen, presidente da Systemiq no Brasil. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
O debate também teve forte participação do Congresso Nacional. Relator do projeto de regulamentação da inteligência artificial na Câmara dos Deputados, o deputado federal Aguinaldo Ribeiro defendeu a construção de políticas de longo prazo para o setor. “O Brasil precisa recuperar a capacidade de planejar. Precisamos saber que país queremos e onde queremos chegar”, disse. Para o parlamentar, a governança será o elemento central para garantir segurança jurídica e permitir que a legislação acompanhe a velocidade das transformações tecnológicas.
Autor do projeto aprovado pelo Senado que regulamenta a inteligência artificial no país, o senador Rodrigo Pacheco destacou que o desenvolvimento tecnológico deve caminhar ao lado da proteção dos direitos dos cidadãos. “A inteligência artificial deve ter como foco a centralidade da pessoa humana. Toda inovação precisa servir ao bem-estar do indivíduo”, afirmou. Pacheco também defendeu a aprovação de medidas voltadas ao fortalecimento da infraestrutura digital brasileira, incluindo incentivos para a instalação de data centers e a consolidação da soberania digital nacional.
O senador Rodrigo Pacheco falou sobre tecnologia e direitos dos cidadãos caminharem lado a lado. (Foto: Leandro Sanches/ LIDE)
Ao longo do seminário, especialistas internacionais também ressaltaram que a revolução da inteligência artificial está diretamente conectada à transformação dos sistemas energéticos globais. O CEO da Systemiq, Jeremy Oppenheim, afirmou que países capazes de combinar energia limpa, capital humano qualificado e governança eficiente terão vantagem competitiva na nova economia. “As economias que conseguirem aplicar a inteligência artificial para aumentar a produtividade serão as que realmente vencerão essa disputa global”, observou.
O encontro reforçou a avaliação de que o Brasil reúne condições para ocupar posição de destaque na economia digital mundial. No entanto, para transformar potencial em resultados concretos, os participantes defenderam a convergência entre setor público, iniciativa privada, universidades e centros de pesquisa, criando um ambiente favorável à inovação, aos investimentos e à formação de talentos para a nova era tecnológica.