Filie-se
Mobilidade

Biometano avança sobre elétricos e ganha espaço em frotas de ônibus no Brasil

Goiânia estreia modelos no país e capitais como São Paulo passam a considerar alternativa.

02 de abril de 2026 por LIDE

Design-sem-nome-97Goiânia incorporou ônibus movidos a biometano em sua frota e São Paulo abre espaço para alternativa com o Programa BioSP. (Foto: Divulgação)

O biometano começa a ganhar protagonismo na corrida pela descarbonização do transporte público no Brasil, disputando espaço com os ônibus elétricos. As informações são do InvestNews.

No fim de março, Goiânia colocou em operação os primeiros ônibus articulados movidos ao combustível no país, produzido a partir de resíduos como vinhaça de cana, dejetos animais e lixo urbano.

O movimento ocorre em um momento em que a eletrificação das frotas enfrenta desafios para avançar. Em São Paulo, por exemplo, já há 1.259 ônibus elétricos em circulação, a maior frota do país, mas obstáculos como custo elevado e limitações de infraestrutura têm dificultado a expansão.

Um ônibus elétrico pode custar até três vezes mais do que um modelo a diesel, além de exigir tempo de recarga entre uma e quatro horas. Já o abastecimento com biometano leva cerca de 15 minutos, com menor demanda por adaptações na rede elétrica.

Diante dessas dificuldades, a capital paulista flexibilizou regras para renovação da frota e abriu espaço para o uso de biometano por meio do Programa BioSP. O edital para contratação de fornecedores ainda está em elaboração.

Fabricantes como Marcopolo e Scania já avançam nas negociações com outros estados, incluindo Espírito Santo e Rio de Janeiro. Cidades como Curitiba e Ribeirão Preto também estudam a adoção da tecnologia.

Além do custo inicial — cerca de 1,5 vez maior que o diesel, mas inferior ao elétrico —, o biometano se destaca pela autonomia. Os modelos em operação em Goiânia podem rodar mais de 400 km, acima dos cerca de 200 km a 250 km dos ônibus elétricos.

Por outro lado, há desafios. A manutenção de veículos a gás pode ser até 15% mais cara, e parte dos componentes, como cilindros de armazenamento, ainda é importada, o que pressiona os custos.

O avanço do biometano também reflete um debate mais amplo no setor: a descarbonização não deve depender de uma única tecnologia. Alternativas como híbridos a etanol e até soluções com hidrogênio também entram no radar.

No caso de Goiás, a adoção do biometano se apoia na forte produção agroindustrial, que garante matéria-prima para o combustível. As primeiras unidades foram produzidas pela Marcopolo com chassis da Scania e já atendem milhões de passageiros por mês.

A meta local é chegar a 80 veículos até o fim de 2026 e a 500 até 2027, dentro de um plano de investimentos que supera R$ 2,5 bilhões, incluindo frota, infraestrutura e produção de combustível.