“O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua”, diz CIO da XP sobre moeda americana
Para Artur Wichmann, dólar pode perder força globalmente sem deixar de ser a principal reserva de valor do mundo, enquanto o Brasil aparece entre os beneficiados pelo novo cenário econômico global.

Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos. (Foto: Divulgação)
O dólar pode continuar perdendo força frente a outras moedas globais, mas ainda está longe de perder seu protagonismo no sistema financeiro internacional. Segundo a Bloomberg, essa é a avaliação de Artur Wichmann, CIO da XP Investimentos, ao analisar os impactos da nova dinâmica geopolítica, dos juros globais e da busca de investidores por ativos fora dos Estados Unidos.
Em entrevista, Wichmann afirmou que um processo de enfraquecimento estrutural da moeda americana pode coexistir com a manutenção de seu status como principal reserva de valor global. “É possível ter um dólar mais fraco estruturalmente enquanto essa moeda continua sendo o padrão de reserva de valor no mundo. O dólar ganha por W.O. Não tem quem substitua”, disse.
Na avaliação do executivo, moedas como o euro e o renminbi chinês ainda não possuem força suficiente para assumir esse papel, especialmente diante de barreiras institucionais, restrições de conversibilidade e falta de confiança dos investidores internacionais. Por isso, uma transição semelhante à que ocorreu no pós-guerra, quando o dólar substituiu a libra esterlina, ainda não está no radar do mercado.
Wichmann também destacou que o Brasil aparece entre os países mais beneficiados nesse novo ambiente global. Segundo ele, a combinação de um dólar mais fraco com a posição brasileira como exportador relevante de commodities fortalece o real frente a outras moedas emergentes. “O Brasil talvez seja o ganhador relativo do conflito no Oriente Médio”, afirmou.
Apesar do cenário positivo para o câmbio, o CIO alertou para o avanço da inflação em meio à alta do petróleo, o que pode reduzir o espaço do Banco Central para cortes de juros. Além disso, o executivo afirmou que as eleições presidenciais de 2026 devem ganhar peso crescente na percepção dos investidores estrangeiros nos próximos meses, especialmente em relação à trajetória da dívida pública brasileira.