Importações de veículos chineses ampliam vendas, mas desaceleram produção nacional
Anfavea eleva projeção de emplacamentos para 3 milhões de veículos em 2026, mas aponta que avanço das importações reduz o impacto positivo sobre a indústria brasileira.
Anfavea eleva projeção de emplacamentos para 3 milhões de veículos em 2026. (Foto: Magnific)
O mercado automotivo brasileiro vive seu melhor primeiro semestre em vendas desde 2019, período anterior à pandemia, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (7) pela Anfavea, associação que representa as montadoras. Diante do desempenho acima das expectativas, a entidade revisou para cima suas projeções para 2026.
A estimativa para os emplacamentos passou de um crescimento de 2,7%, com previsão de 2,6 milhões de unidades, para uma alta de 12,1%, o que levaria o mercado a aproximadamente 3 milhões de veículos vendidos neste ano — volume que não era registrado desde 2014.
Apesar do forte avanço das vendas, a produção nacional não acompanha o mesmo ritmo. A Anfavea também elevou sua projeção para a fabricação de veículos, mas de forma mais moderada: a expectativa de crescimento passou de 3,7% para 5,8%, com produção estimada em 2,7 milhões de unidades.
Segundo o presidente da entidade, Igor Calvet, historicamente a evolução da produção acompanha de perto o desempenho dos emplacamentos. Neste ano, porém, a diferença entre os dois indicadores aumentou em razão da expansão das importações. No primeiro semestre, as compras de veículos do exterior cresceram 18,5%, enquanto as exportações recuaram 21,2%.
De acordo com Calvet, esse cenário faz com que a produção nacional avance em ritmo inferior ao das vendas internas. Para a Anfavea, o movimento está diretamente ligado ao aumento da presença de veículos chineses no mercado brasileiro, fenômeno que também afeta a Argentina, principal destino das exportações da indústria automotiva nacional.
Dados apresentados pela entidade mostram que, entre janeiro e maio de 2025, o Brasil respondia por 82% das importações argentinas de veículos. No mesmo período de 2026, essa participação caiu para 56%, refletindo tanto a menor demanda no país vizinho quanto o crescimento da concorrência internacional.
No mercado brasileiro, a expansão das marcas chinesas também já aparece nos rankings de vendas. Segundo a Fenabrave, a BYD encerrou o primeiro semestre como a quarta marca mais vendida entre automóveis e comerciais leves, com participação de 7,2%, atrás apenas de Fiat (19,9%), Volkswagen (16,5%) e General Motors (10,3%).
Calvet afirmou que não se opõe ao uso do regime CKD, modelo em que os veículos chegam desmontados ao país para montagem local, mecanismo que conta com incentivos tributários para fabricantes em fase de instalação. Segundo ele, esse sistema já foi amplamente utilizado no Brasil após a abertura econômica das décadas de 1990 e 2000.
O dirigente destacou, no entanto, que a indústria automotiva exige longos ciclos de adaptação e reconheceu que o setor atravessa uma transformação global impulsionada pelas novas tecnologias de propulsão. Para ele, o principal desafio é a velocidade com que os veículos de origem chinesa têm ampliado sua presença no mercado brasileiro.
No segmento de veículos pesados, a perspectiva é menos favorável. A Anfavea projeta queda de 6% tanto na produção quanto nos emplacamentos de caminhões e ônibus em comparação com 2025, indicando um desempenho negativo para esse mercado ao longo de 2026.
Se desejar, posso deixá-la com uma linguagem mais próxima da Bloomberg Línea, do Valor Econômico ou do Brazil Journal.
*Com informações da Bloomberg Línea