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WSL se reformula em temporada com volta de Medina e hegemonia brasileira à prova

01 de abril de 2026 Bruno Accorsi, Estadão Conteúdo

A WSL, circuito mundial de surfe, está repleta de novidades em 2026. Com Yago Dora na defesa do título, após devolver o Brasil ao topo, e Gabriel Medina de volta, a competição traz mudanças relevantes em seu formato e desafia a Brazilian Storm a se manter dominante. Nas últimas seis temporadas, o País só não foi campeão em 2024.

Algumas das reformulações da competição já são experimentadas na primeira etapa do ano, em Bells Beach, na Austrália, cuja janela foi aberta na terça-feira. É o caso do fim da repescagem. Ou seja, o surfista eliminado em qualquer fase não terá a oportunidade de voltar para a disputa.

A transformação de maior impacto, contudo, é o fim do Finals, etapa derradeira implementada em 2021, na qual o vencedor da temporada saía de um mata-mata entre os cinco melhores do ranking. Agora, a disputa volta a ser como era antes: o campeão da WSL será aquele que somar mais pontos ao longo da temporada. É o tradicional "pontos corridos".

"Acho que o formato por ranking é mais justo no sentido de premiar a consistência ao longo do ano inteiro. O Finals trazia muita emoção, visibilidade, e era um evento à parte, mas o circuito é muito longo e exige consistência. No fim, nos dois formatos, quem performar melhor durante toda a temporada vai ganhar o título", comenta Filipe Toledo, campeão mundial em 2022 e 2023.

Serão 12 etapas no total, com 24 mulheres e 36 homens, quantidade que será cortada para 15 e 24, respectivamente, depois da nona etapa. Então, são descartados os dois piores resultados entre os nove. A grande decisão será em Pipeline, no Havaí, onde tradicionalmente a etapa se encerrava a temporada até o surgimento do Finals.

O início do circuito em abril é outro fator novo que chega neste ano. Geralmente, a disputa começa entre o final de janeiro e o início de fevereiro. Como a temporada passada, vencida pelo brasileiro Yago Dora, terminou em setembro, foram sete meses sem competição para os surfistas.

"Para mim, foi super vantajoso ter um break maior. Eu tive bastante coisa para fazer depois do título, muitas responsabilidades para serem cumpridas. Tive tempo de fazer essa parte extra surfe. Tive um tempinho para dar uma descansada também e bastante tempo para voltar à preparação", comentou o atual campeão.

O título de 2025 foi o primeiro de Dora, que ampliou a lista de campeões da Brazilian Storm, formada por Gabriel Medina (2014, 2018, 2021), Adriano de Souza "Mineirinho" (2015), Ítalo Ferreira (2019) e Filipinho Toledo (2022, 2023). Foram cinco títulos seguidos para o Brasil entre 2018 e 2023, até John John Florence vencer em 2024.

MEDINA DE VOLTA E EM BUSCA DO TETRA

A conquista de Dora, contudo, mostrou que o domínio brasileiro está longe de acabar. Medina, inclusive, quer erguer o nome do País ainda mais alto ao se tornar um dos raros tetracampeões do circuito. Apenas dois surfistas têm quatro ou mais títulos do circuito masculino. O australiano Mark Richards é tetra e a lenda americana Kelly Slater tem 11.

Medina sofreu uma ruptura no tendão do músculo peitoral maior do ombro esquerdo, durante um treinamento em janeiro de 2025. Recuperado da lesão desde o meio do ano passado, ele pretendia ter voltado a competir na etapa de Teahupoo, no Taiti, em agosto.

Como estava sem ranking e a temporada já estava no fim, dependia de um wild card, convite que a organização costuma ceder em casos especiais, mas a oportunidade não veio porque as vagas já estavam preenchidas. De volta em 2026, ele tenta se tornar tetracampeão.

"É por isso que eu voltei para o circuito. Se eu não tivesse essa vontade eu nem voltaria. Mas eu me sinto bem competindo, é o que faz sentindo pra mim, é o meu propósito. Seria irado ser quatro vezes campeão mundial, seria além do meu sonho. Sempre quis ser três. Mas você alcança um objetivo e tem de criar outro."

Além dos campeões Dora, Medina, Italo e Filipinnho, o Brasil tem João Chianca, Miguel Pupo, Samuel Pupo, Alejo Muniz e o estreante Mateus Herdy como representantes na disputa masculina. No feminino, a única brasileira será Luana Silva, já que Tati Weston-Webb está afastada das competições após se tornar mãe.