'O ódio destrói, o diálogo constrói', diz João Doria ao defender pacificação política no Brasil
Co-chairman do LIDE alertou para os riscos de uma campanha eleitoral “suja e belicosa” em 2026, criticou excessos do STF e reforçou que investidores internacionais buscam segurança jurídica para ampliar aportes no país.
João Doria, co-chairman do LIDE. (Foto: Vanessa Carvalho/ LIDE)
Durante participação no Brazil Investment Forum, promovido pelo LIDE em Nova York, o co-chairman do grupo, João Doria, fez um apelo em defesa do diálogo político e da moderação institucional como caminhos para fortalecer a democracia brasileira e atrair investimentos internacionais. Em discurso marcado por críticas à polarização e ao radicalismo, Doria afirmou que “o saldo é o diálogo” e que “o ódio destrói”. Segundo ele, a imposição de ideias e a incapacidade de ouvir posições divergentes prejudicam governos e comprometem o ambiente democrático.
Ao abrir sua fala, Doria destacou o papel histórico do evento realizado em Nova York como espaço de debate entre empresários, políticos e investidores. “Aqui discutimos ideias econômicas, sociais, ambientais, sustentáveis e políticas para valorização da democracia”, afirmou. Para o empresário, o ambiente de polarização vivido atualmente no Brasil e em outras democracias do mundo tem sido alimentado por extremismos e ressentimentos. “O nocivo é quando você não tem diálogo, quando impõe suas decisões e não sabe ouvir”, declarou.
O ex-governador também demonstrou preocupação com o cenário eleitoral brasileiro de 2026. Segundo ele, há risco de que a próxima disputa presidencial se torne “a mais suja e abominável da história do país”, marcada por ataques pessoais, fake news e uso irresponsável da inteligência artificial. Doria afirmou temer uma campanha “belicosa” protagonizada pelos extremos políticos, mas ponderou que candidatos que se afastarem desse ambiente de confronto poderão conquistar vantagem diante do eleitorado. “A população quer propostas, não agressões pessoais”, disse.
Ao comentar o ambiente econômico internacional, Doria avaliou que conflitos geopolíticos, como as guerras no Oriente Médio e na Europa, já provocam impactos negativos sobre a economia brasileira, especialmente nos setores ligados à exportação e ao mercado internacional. Para ele, o enfraquecimento da capacidade de mediação da ONU evidencia uma crise global de diálogo diplomático. “O mundo vai num mau caminho e há prejuízo para todos”, afirmou, responsabilizando o populismo de extrema direita e extrema esquerda pelo aumento das tensões internacionais.
Em outro momento da coletiva, João Doria abordou a atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu uma reflexão institucional sobre os limites entre os poderes. Segundo ele, investidores estrangeiros observam com atenção a estabilidade jurídica brasileira antes de ampliar aportes no país. “O investidor internacional quer segurança jurídica. Ele não tem preocupação majoritária com ideologia ou eleição, mas quer a certeza de que as regras não vão mudar no meio do caminho”, afirmou. Doria sugeriu ainda que o STF faça uma “autoavaliação serena” sobre decisões recentes e disse considerar que houve “talvez um excesso de autoridade” da Corte em determinados momentos políticos.
Apesar das críticas, o empresário demonstrou otimismo em relação ao potencial econômico brasileiro a partir de 2027, especialmente nos setores de agronegócio, transição energética, tecnologia, data centers e sustentabilidade. Segundo ele, fundos internacionais, como o soberano de Singapura e a gestora americana BlackRock, demonstraram interesse crescente no Brasil durante encontros realizados em Nova York. “O Brasil é uma excepcional oportunidade”, afirmou Doria, ressaltando que o país reúne condições favoráveis para receber investimentos estrangeiros de longo prazo.
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