Filie-se
LIDE BRAZIL INVESTMENT FORUM

'O Brasil viveu radicalização, não polarização', diz Michel Temer em Nova York

Ex-presidente defende pacto republicano para reduzir tensões políticas, critica “pré-condenações” no sistema brasileiro e afirma que população está cansada do ambiente de confronto.

12 de maio de 2026 por LIDE

IMG_7640Michel Temer defendeu pacto republicano para reduzir tensões políticas. (Foto: Vanessa Carvalho/LIDE)

O ex-presidente Michel Temer defendeu nesta terça-feira (12), em Nova York, a construção de um ambiente de maior conciliação política no Brasil e afirmou que o país atravessa um momento de “radicalização” — e não apenas de polarização ideológica. A declaração foi dada durante coletiva de imprensa no LIDE Brazil Investment Forum, evento realizado pelo LIDE nos Estados Unidos.

Para Temer, a sociedade brasileira demonstra sinais de desgaste diante do cenário político atual e tende a apoiar propostas que priorizem a união institucional.

“As pessoas estão cansadas da polarização, que é um embate de ideias e conceitos e projetos, mas cansadas da radicalização. O que se deu no Brasil hoje foi radicalização e não polarização de ideias”, afirmou.

O ex-presidente sugeriu, inclusive, que o futuro presidente da República convoque um pacto nacional logo nos primeiros dias de governo. Segundo ele, a medida poderia envolver os Poderes, representantes da oposição e entidades da sociedade civil em torno de uma agenda de estabilidade institucional. “Você deveria anunciar ao povo brasileiro que no terceiro ou quarto dia do seu governo vai chamar os dois poderes, vai chamar a oposição, vai chamar as entidades, a sociedade civil e dizer: vamos fazer um grande pacto republicano pelo país”, declarou.

Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, Temer evitou antecipar qualquer prognóstico e ressaltou que as pesquisas ainda refletem um momento passageiro da disputa.

“A pesquisa de hoje não é a pesquisa de amanhã”, disse. Questionado sobre uma eventual volta à vida pública, descartou a possibilidade. “Eu já fiz o que tinha que fazer”, afirmou.

Durante a coletiva, Temer também comentou investigações envolvendo o presidente do Progressistas, Ciro Nogueira, e criticou o que chamou de cultura de “pré-condenação” no país. Segundo ele, acusações e investigações não podem substituir o devido processo legal. “Bastou registrar que alguém está envolvido em alguma coisa, já está pré-condenado. É um defeito, lamento dizê-lo, do nosso sistema”, declarou.

Temer também elogiou a atuação do Itamaraty e do chanceler Mauro Vieira, destacando a tradição diplomática brasileira e o papel estratégico da política externa. “Eu sempre acreditei muito nela”, afirmou ao comentar o trabalho conduzido pelo ministério.